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Copa do Mundo das Áreas Protegidas: Grupo A

Copa do Mundo das Áreas Protegidas: Grupo A

A Copa do Mundo 2026 estreou nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, Cidade do México, com vitória de 2×0 para o anfitrião, México, que sedia sua terceira Copa do Mundo. Aproveitamos a bola rolando para apresenta a segunda edição da Copa do Mundo de Unidades de Conservação: uma iniciativa de ((o))eco que busca ilustrar os esforços (ou não) de cada um dos 48 países classificados para o mundial deste ano na conservação das suas riquezas naturais, a partir das suas áreas de proteção ambiental.

Durante as próximas semanas, apresentaremos o panorama de conservação ambiental das seleções pelos seus respectivos grupos. Iniciamos, por respeito à ordem alfabética,, com o Grupo A. Confira:

México: A seleção mexicana se prepara para sediar sua terceira Copa do Mundo sob clima de desconfiança, após a eliminação precoce na fase de grupos no mundial de 2022. Se o clima de incerteza gera apreensão no futebol, iniciativas recentes do país na frente ambiental trazem otimismo para La Trí.

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A sinalização positiva vem dos movimentos recentes do governo mexicano para expandir suas Áreas Naturais Protegidas (ANPs). Em outubro de 2025, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou o plano de expansão das ANPs do país até 2030. A expectativa é saltar dos atuais 99,3 milhões de hectares para mais de 153 milhões de hectares de área protegida nos próximos quatro anos. 

A iniciativa integra os planos do país de cumprir o acordo internacional 30×30 – proteger 30% de sua área terrestre e marinha. Até o momento, o México possui 232 ANPs e 609 áreas de conservação voluntariamente designadas (ADVC). As metas ambiciosas colocam os mexicanos em posição alta no grupo, com boas chances de classificação para a próxima fase.

Parque Nacional Nevado de Toluca. Foto: Juan Carlos Fonseca Mata/Wikipédia

África do Sul: De volta a uma Copa do Mundo depois de 16 anos, é possível dizer que a África do Sul vive um contraste entre seus esforços no futebol e na conservação de suas riquezas naturais.

Se, de um lado, os Bafana Bafana renovaram sua seleção por completo, sem nenhum remanescente do mundial de 2010, os governos sul-africanos não criaram nenhuma nova unidade de conservação desde 2009. Esforços recentes de proteção ambiental incluem a expansão de quatro parques nacionais, em parceria do SANparks (Serviço de Parques Nacionais da África do Sul) junto à WWF.

O país possui 509 Áreas de Proteção Terrestre, e outras 25 Áreas de Proteção Marinha. O SANparks administra 21 parques nacionais e 10 Áreas de Proteção Marinha. No total, são cerca de 4,4 milhões de hectares de terra protegidos à nível nacional, e 370 mil hectares de área marinha.

Dentre os principais desafios para o SANparks estão o avanço da mineração, a prática de caça ilegal nos parques nacionais, além das dificuldades para controle dos parques nacionais em áreas de fronteira com países vizinhos. Para lidar com estes e outros desafios, o Ministério da Floresta, Pesca e Meio Ambiente lançou em 2023 o SANparks Vision 2040 – uma estratégia para redefinir o papel dos parques nacionais, e integrá-los ao desenvolvimento social e econômico das regiões em que estão inseridos. A iniciativa se apresenta como uma plataforma colaborativa, que visa o trabalho de co-criação com a sociedade civil para redesenhar as áreas de proteção do país.

Estes desafios para conservação, somada a baixa cobertura por área proporcionada por suas unidades de conservação (9,6% de cobertura terrestre e 15,4% de proteção marinha) colocam os sul-africanos em posição vulnerável no grupo. As chances para avançar podem depender da nova regra para classificação, que permite que os melhores terceiros colocados prossigam para o mata-mata.

Parque Nacional Camdeboo, na África do Sul. Foto: Domenico Convertini/Flickr

Tchéquia: De volta a uma Copa do Mundo depois de 20 anos, a Tchéquia – antes conhecida como República Tcheca –, espera não fazer feio no mundial deste ano. O mesmo pode ser dito para seus esforços na proteção de sua biodiversidade. A Agência de Meio Ambiente da União Europeia (EEA) registrou declínios expressivos de populações de aves em zonas rurais, em meio ao avanço da fronteira agrícola no país. A Tchéquia possui 21,9% de seu território protegido por unidades de conservação, e espera subir sua cobertura para 28,8% da sua área total até 2030. A estratégia inclui fortalecer corredores florestais que integrem as áreas protegidas já existentes.

Apesar destes desafios, a cobertura de suas unidades de conservação colocam a Tchéquia como uma das favoritas do Grupo A. Os tchecos lideram neste quesito, e a ausência de zona costeira não os coloca na disputa por conservação de áreas marinhas.

O Parque Nacional de Šumava, na Tchéquia, possui 680,64 km² e protege parte da Floresta Boêmia. Foto: Adámoz/Wikipédia

Coreia do Sul: A Coreia do Sul tem feito boas apresentações nas últimas Copas, se classificando em seus grupos nas duas últimas edições. No que tange a conservação da sua biodiversidade, eles também não decepcionam. O país possui 23 parques nacionais, sendo o maior deles o Parque Nacional Dadohaehaesaeng, com 2.321,5 km².

Além das unidades de conservação tradicionais, abertas para visitação, a Coreia do Sul conta com um santuário peculiar para a sua biodiversidade. Afinal, a zona desmilitarizada na fronteira entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, livre de distúrbios humanos desde o fim da guerra entre os países (1950 – 1953), se tornou um refúgio para a vida selvagem na região. Esses 907 km² abrigam mais de seis mil espécies de fauna, de acordo com levantamento do Instituto Nacional de Ecologia da Coreia do Sul. A região se tornou um lar crítico para a sobrevivência de espécies ameaçadas, a exemplo do cervo-almiscarado (Moschus moschiferus) e o goral-de-cauda-longa (Naemorhedus caudatus).

A Coreia do Sul precisaria confirmar um suposto favoritismo se espera se classificar para a inédita fase dos dezesseis avos nesta copa da proteção à natureza. Embora superem os mexicanos e sul-africanos em relação à cobertura de áreas de proteção terrestre em seu território, a proteção de sua zona costeira é um verdadeiro calcanhar de aquiles para os sul-coreanos. As unidades de conservação marinhas do país cobrem apenas 2,27% de sua costa – significativamente abaixo dos anfitriões do grupo (22,57%) e dos bafana bafana (15,43%). 

Parque Nacional Dadohae Haesang. Foto: Lcarrion88/Wikipédia.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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