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ToggleFoto da capa: Reprodução/AEGEA
Um levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil apontou que os índices de perdas de água tratada podem passar de 70% em cidades do Pará. O termo consiste na diferença entre o volume de água produzida que entra nos sistemas de abastecimento e o que é consumido pelos usuários.
O estudo, elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (ano-base 2023), mostrou que Belém registrou uma perda de 58,96%, podendo chegar à 70%, mesmos números do município de Ananindeua. Marituba, outra cidade paraense, apontou um dado ainda mais alarmante: 85% da perda de água.
Para o engenheiro sanitarista Valdinei Mendes, o desperdício de água durante o processo de abastecimento tem impactado negativamente na distribuição do serviço da população, além de representar grandes despesas financeiras para a concessionária.
“Quando a gente fala de perda de água, é preciso pensar no contexto da produção da água bruta, que é do rio ou poço. Ela passa por um processo de tratamento, bombeamento, usar produto químico, usar insumos, mão de obra, energia, até ela chegar na torneira existe um valor financeiro envolvido. Então, perder água é perder muito dinheiro, isso precisa ser visto de uma forma mais ampla”, afirmou o engenheiro.
Tipos de perdas de água
Segundo o especialista, as perdas são classificadas de duas formas:
Perda Real: aquela em que a água não chega ao consumidor devido a vazamentos em adutoras, ramais e reservatórios;
Perda Aparente: aquela água que é consumida, mas não é contabilizada por falhas em cadastro, medidores, ligações clandestinas (gatos) e desvios irregulares.
“Quando você tem um sistema de abastecimento que não foi projetado de forma adequada ou não recebeu a devida manutenção ao longo do tempo, vamos ter o que a gente chama de perda física. Redes antigas ou remendadas têm muitos pontos de vazamento, onde a água que foi produzida e colocada na rede, sai por vazamento. E aí isso envolve duas condições para solucionar isso: a manutenção e operação do sistema, de responsabilidade das concessionárias, e a parcela diretamente ligada ao uso consciente do usuário”, frisou.
Leia também: Norte apresenta níveis de perda de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil
Soluções estratégicas
Para mitigar os índices de perdas de água, Valdinei afirmou que as concessionárias precisam compor equipes preparadas para resolver vazamentos de água nas redes no menor tempo possível, evitando assim maior desperdício do líquido.
“É preciso que as concessionárias tenham uma equipe treinada que garanta um tempo mínimo entre o recebimento da informação do vazamento até a retirada. Para se ter ideia, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental promove em seu evento bianual uma competição nacional, onde as concessionárias e seus operadores participam e quem resolver em menor tempo, ganha prêmios. Então, é importante a retirada do vazamento o mais rápido possível”, reforçou o engenheiro, citando um exemplo de como estimular a criação de soluções.

Outra estratégia adotada pelas empresas é o serviço de atendimento entre a concessionária e os consumidores, para que os clientes possam comunicar, de forma rápida e eficiente, sobre eventuais vazamentos de água.
“Qualquer cidadão que identifique um vazamento precisa entrar em contato com as concessionárias. Independentemente de ser um local público ou privado, se está na concessão do município ou estado, o importante é eliminar essa perda porque é o nosso dinheiro que está ali. Não podemos tolerar essas perdas físicas”, frisou Valdinei.
Por fim, o engenheiro reforçou o uso consciente da água pela população para garantir a segurança hídrica do país.
“O cidadão precisa ficar ciente que, se estamos com 60% de perda, significa que todo investimento feito na produção, precisa retornar em qualidade da água, que é um dos indicadores da segurança hídrica. Se essa água é produzida e não chega na torneira, vamos ter dificuldade de manter os reservatórios cheios, a concessionária precisa garantir o reservatório para que não falte água em nenhum momento”, concluiu.
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Águas que transformam
A entrevista com Valdinei Mendes faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 1º de março.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):
Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’
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