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ToggleDepois de oito anos sem um grande encontro nacional dedicado às unidades de conservação, a UCBIO – Conferência Nacional de Unidades de Conservação – surge com a proposta de retomar e renovar o debate sobre a proteção da biodiversidade brasileira. Inspirada pelo legado do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), a conferência quer reunir aqueles que atuam na linha de frente da proteção da natureza para discutir desafios, caminhos e o papel estratégico e fundamental das áreas protegidas diante da crise climática e de pressões cada vez maiores sobre os ecossistemas do país.
“O Brasil precisa falar mais sobre unidades de conservação”, resume Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Pró-UCs, organização responsável pela realização da UCBIO ao lado da Associação Caatinga. “O Brasil é reconhecido pela questão ambiental, as Terras Indígenas… mas o Brasil tem falado pouco de UCs. Precisamos falar do valor intrínseco da biodiversidade e da natureza. Precisamos disso para garantir o clima, água, condições básicas para existência. São áreas que deixam benefícios para todos, para essa e para as futuras gerações”, completa.
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A edição inaugural da conferência, que ocorre entre os dias 7 e 9 de junho, em Curitiba, Paraná, deixa claro essa missão no tema: “Parques Nacionais: conservar para todos o que é de todos”. “Decidimos falar sobre parques nacionais, porque acreditamos que é um carro-chefe das UCs. Nem todo mundo sabe o que é uma UC, mas sabem o que é um parque”, explica Angela.
Para começar com o pé direito, a UCBIO espera reunir cerca de 700 pessoas, com um público de pesquisadores, gestores públicos, organizações ambientais, representantes da sociedade civil e estudantes. As inscrições ainda estão abertas e leitores de ((o))eco têm cupom de desconto.

Retomada do CBUC
A UCBIO busca preencher a lacuna deixada pelo CBUC, que surgiu em 1997 com o intuito de dar força à criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e totalizou nove edições. A última em 2018, em Florianópolis (SC).
“Com o fim dos congressos de unidades de conservação também acabou o mais importante fórum de debate qualificado, do ponto de vista científico, de unidades de conservação no Brasil. E a realização da UCBIO vem para retomar esse espaço”, contextualiza Miguel Milano, conselheiro da Rede Pró-UC e idealizador da conferência.
O ambientalista foi o coordenador das quatro primeiras edições do CBUC e trouxe consigo essa experiência para montar um quebra-cabeça que preenchesse a conferência com debates que ajudam a chamar atenção para realidade das UCs, particularmente as de proteção integral, o valor delas para sociedade e os desafios que essas áreas têm enfrentado tanto no território quanto no campo político e jurídico. “Na programação, busquei trazer os temas centrais e desdobramentos com exemplos reais, para pensarmos juntos em caminhos e soluções”, conta Milano.
Um verdadeiro raio-x (ou talvez um zoom), na situação das UCs brasileiras, a UCBIO mostra seu cartão de boas-vindas com nomes de peso no universo da conservação. Como John Terborgh, um dos maiores nomes da conservação mundial. Aos 90 anos, o professor emérito de Ciência Ambiental na Duke University não hesitou em aceitar o convite da organização, compartilha Milano.
Com toda sua experiência, o ecologista, autor de diversos livros referências na conservação e fundador do ParksWatch, que monitora e avalia as áreas protegidas dos Estados Unidos, irá discutir o papel dos parques na preservação da biodiversidade e os caminhos para avançar rumo à meta global 30×30 (30% de territórios protegidos até 2030).
Outro confirmado é o atual presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, encarregado da fala de abertura da conferência e especialista em Direito Ambiental.
Na palestra de encerramento da UCBIO, mais um convidado internacional que atrai multidões: o ativista de oceanos e defensor da vida marinha, Paul Watson, fundador da Sea Shepherd. “É a primeira vez que ele participa presencialmente de um congresso no Brasil. E é a figura mais emblemática do ativismo ambiental marinho no mundo”, exalta Angela.
Ao todo são mais de 35 palestrantes nacionais e internacionais, e mais de 20 expositores confirmados ao longo dos três dias de evento, que replica a estrutura do antigo congresso, com palestras, painéis, mini arenas e feiras de expositores.
“Era um evento que dava muito certo e queremos retomar. Queremos fazer esse reposicionamento e apresentar a UCBIO como a retomada desse espaço de debate sobre UCs com uma agenda robusta, de muita qualidade técnica, para discutir ameaças, oportunidades, mecanismos financeiros… E também para promover o encontro de gestores e essa troca de conhecimento”, pontua Angela.
A retomada desse espaço de diálogo e troca de conhecimento sobre as UCs tem ainda um outro objetivo fundamental: ajudar na formação de uma nova geração de conservacionistas. “Eu posso falar de carteirinha porque eu sou uma filha do CBUC. Participei desde o segundo, em Campo Grande (MT). Eu ainda estava na faculdade e não sabia direito o que eram unidades de conservação e assisti palestras que mudaram a minha vida. De lá para cá, eu construí minha vida de ambientalista e ativista em cima da defesa de UCs”, lembra a diretora-executiva da Rede Pró-UC.
O espaço está aberto não apenas para estudantes de Biologia e áreas correlatas, mas de todos os cursos, desde Jornalismo, Direito até Engenharia e Economia. “Queremos proporcionar esse ambiente de debate de UCs aos estudantes e ajudar a formar essa geração que daqui a 10, 20 anos poderá estar na linha de frente também”, acrescenta a diretora.
A UCBIO marca ainda o lançamento oficial do Instituto Miguel Milano e da primeira edição do Prêmio Miguel Milano de Conservação da Natureza, que dará R$ 100 mil anualmente em reconhecimento a um expoente da luta em defesa do meio ambiente.
“É cuidar para todos o que é de todos. Especialmente no que tange à biodiversidade, que inclui o que a gente come, remédios e até parte do que a gente veste. Precisamos salvar a biodiversidade e um caminho essencial para isso são as unidades de conservação”, resume Miguel Milano.
Em pleno ano eleitoral, a missão da UCBIO ganha ainda mais importância. “O maior desafio das UCs é elas continuarem existindo. Nós estamos na berlinda o tempo todo. Criar a UCBIO é jogar luz nos problemas, aprofundar o debate e pensar juntos em soluções”, reflete Angela.
Serviço:
Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade – UCBIO
Quando? 7 a 9 de junho de 2026
Onde? Viasoft Experience – Curitiba/PR
*Leitores de ((o))eco podem usar o cupom OECO10 para ter desconto na inscrição.
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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