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ToggleProjeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), em parceria com a Espeleonordeste (Sociedade Nordestina de Espeleologia), realizam um estudo inédito sobre cavernas e grutas na região da Serra do Laranjal, no sul do Amapá.
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O projeto, chamado ‘Amapá Espeleológico: Prospecção e Topografia de Cavidades Naturais nas Microrregiões do Oiapoque e Mazagão – AP’, busca catalogar cavidades naturais e atualizar mapas e registros de GPS.
Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.
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Entre as descobertas estão urnas funerárias indígenas datadas de cerca de 800 anos, já catalogadas em aproximadamente 20 sítios arqueológicos. A maioria corresponde às chamadas urnas maracá, consideradas patrimônio histórico e cultural. Essas cavernas já são conhecidas há 150 anos.
Objetivos e parcerias
O projeto tem como foco o mapeamento topográfico e a caracterização técnica das cavernas nos municípios de Mazagão, Calçoene e Oiapoque. As pesquisas se concentram em grutas conhecidas desde o século 19, mas que ainda carecem de documentação sistemática, muitas vezes associadas a contextos funerários e ritualísticos.
A iniciativa é liderada pela Espeleonordeste, com a expertise do arqueólogo e espeleólogo Daivisson Santos, em parceria com o NuPArq/IEPA e o IPHAN/Amapá, além do apoio da comunidade quilombola.
“A ideia também é que esse material, todo o mapeamento e todo o registro que for criado a partir desse projeto, sirvam para proteção desse território, a partir dessa relação que a gente tem estabelecido ao longo de 15 anos com a comunidade”, diz Lúcio Costa, gerente do Núcleo de Arqueologia do Iepa.
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Segundo os pesquisadores, o objetivo é garantir que essas cavidades sejam reconhecidas como patrimônio espeleológico nacional, protegidas tanto pela legislação ambiental quanto pela arqueológica.
“Esse projeto é de suma importância para nós, que vem fortalecer cada vez mais o nosso território. Por isso o Iepa está aqui sempre, no nosso território, fazendo o seu trabalho de pesquisa”, destacou José Hamilton, presidente da Associação da Comunidades Remanescentes do Igarapé do Lago Maracá.
Próximas etapas
A próxima fase do estudo está prevista para setembro, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, com conclusão em 2027. Os resultados serão encaminhados ao ICMBio e ao Instituto Federal do Amapá (Ifam) para reconhecimento oficial.

As cavernas são consideradas bens da União e áreas de proteção permanente. Por isso, além de revelar segredos do passado, o estudo busca garantir que esses santuários subterrâneos sejam preservados para as próximas gerações.
*Por Francisco Pinheiro e Tatiana Guedes, da Rede Amazônica AP
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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