Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Gado pasta numa área desmatada ilegalmente numa reserva extrativista perto de Jaci-Paraná, no estado de Rondônia, Brasil, a 12 de julho de 2023.

Gigante da carne em RO evita auditoria e MPF acusa 260 mil bois ilegais

O maior frigorífico de Rondônia – e sexto maior na Amazônia Legal – o frigorífico Irmãos Gonçalves pode ter abatido 260 mil cabeças de gado criadas em fazendas com desmatamento, trabalho escravo e outras irregularidades socioambientais. É o que apontam os dados divulgados nesta quinta-feira, 20 de agosto, pelo Ministério Público Federal, que revelou os resultados do 3º ciclo de auditorias do TAC da Carne. O ciclo cobre abates realizados em 2023 e 2024.

As auditorias são fruto dos acordos firmados desde 2009 entre o MPF e frigoríficos que atuam na Amazônia. Pelos termos acordados, as empresas precisam comprovar que não comercializam animais provenientes de áreas com desmatamento ilegal, grilagem, trabalho escravo, invasões a unidades de conservação e a terras indígenas e quilombolas.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!

Ao contrário dos demais gigantes da carne da Amazônia, que colaboram com o MPF, o frigorífico Irmãos Gonçalves não apresentou as informações de suas compras. Por isso, o MPF acessou dados públicos e realizou análises automatizadas de todas as remessas de gado que tiveram como destino uma de suas unidades em Rondônia.

O resultado é que mais de um terço das transações da empresa possuem indícios de ilegalidade, seja desmatamento ilegal, invasão de áreas protegidas ou uso de mão de obra em condições análogas à escravidão – ou vários desses problemas sobrepostos. Entre as 800.141 mil cabeças de gado abatidas em dois anos, 260.952 não estavam de acordo com as regras do MPF, um percentual de 32,6% do total de abates.

“O MPF vai ter atenção especial com esse frigorífico, que é muito grande e precisa ter mais responsabilidade”, alertou Gabriel de Amorim Silva Ferreira, Procurador da República de Rondônia.

Segundo o procurador, nos diálogos com a empresa, os gestores teriam afirmado que contratam monitoramento socioambiental “mas não iriam se sujeitar às auditorias do MPF”. “Por que a empresa se recusa a ser transparente com a sociedade civil?”, ponderou Ferreira.

Em 2024, a Justiça condenou o frigorífico Irmãos Gonçalves (além do Distriboi e de três pessoas físicas) ao pagamento de R$ 4,2 milhões por desmatamento ilegal e criação de gado na Reserva Extrativista Jaci-Paraná.

Além do frigorífico Irmãos Gonçalves, de Rondônia, as outras cinco maiores quantidades de gado abatido são das unidades da JBS e Marfrig em Mato Grosso, além de JBS, Mercúrio e Frigol no Pará. Apenas a JBS teve não-conformidades apontadas, mas salientou que elas “concentraram-se exclusivamente em aspectos documentais” (leia a íntegra abaixo).

O frigorífico Irmãos Gonçalves também foi procurado, mas não retornou nosso contato. O espaço segue aberto e o texto será atualizado assim que as empresas se posicionarem. Veja os números abaixo.

JBS comprou quase onze mil bois ilegais em 5 estados

Maior frigorífico do Brasil – e do planeta – as unidades da JBS nos estados do Acre, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins abateram 10.941 cabeças de gado provenientes de fazendas com problemas socioambientais. O dado é auditado pelo MPF e não são casos suspeitos como os do frigorífico Irmãos Gonçalves, mas sim, comprovados.

Apesar do volume elevado de animais, o percentual de irregularidades da JBS é o melhor da série histórica: em nenhum estado, o frigorífico passou de 3% de problemas, o que está dentro da margem de tolerância estabelecida pelo MPF, de 4%. Ao todo, a JBS abateu 8,7 milhões de cabeças de gado nos cinco estados da Amazônia Legal em que atua, mas o total de compras auditadas é menor.

Veículos estacionados no exterior de uma unidade de processamento de carne da JBS em Cuiabá, no estado do Mato Grosso. Foto: Andre Penner / AP Photo

Em nota, a JBS informa que “registrou índice de conformidade de 97,62% em suas aquisições de bovinos na Amazônia”. “As inconformidades residuais concentraram-se exclusivamente em aspectos documentais. Nos critérios socioambientais avaliados, a JBS registrou zero não conformidade”.

Já os outros dois gigantes da carne brasileira, Minerva e Marfrig tiveram 100% de aprovação nas auditorias, ou seja, nenhuma compra auditada foi considerada irregular pelo MPF. Os frigoríficos possuem unidades em Mato Grosso, Rondônia e Tocantins.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
Ver post do Autor

Postes Recentes