Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside
O Cerrado, como Ecodomínio, compreende uma das paisagens ecológicas mais complexas e paradoxalmente negligenciadas do planeta. Embora comumente rotulado como uma “savana tropical”, essa classificação é conceitualmente imprecisa e politicamente reducionista, pois ignora a real diversidade estrutural da região [1-3]. O Cerrado abriga diferentes tipos de biomas: campos, savanas e florestas tropicais, que funcionam como ecossistemas distintos em termos de estrutura, processos ecológicos e vulnerabilidade [1 2, 4]. Esses ecossistemas, conhecidos no Brasil como fitofisionomias [4], não são distribuídos continuamente, mas sim em mosaicos altamente dinâmicos e interdependentes, o que impõe desafios adicionais à sua conservação, monitoramento e manejo [4]. As savanas predominam em área e compreendem 70% da vegetação em todo o Ecodomínio [4]. Mesmo assim, essa predominância numérica não justifica generalizações. O uso do termo “bioma Cerrado”, no singular, tem operado como uma simplificação política que torna invisíveis as formações igualmente estruturais de campos e florestas (ver Quadro 1). Como propõe Batalha [2], essa definição é incompatível com a literatura ecológica internacional, que reconhece os biomas como unidades fisionômicas e funcionais, e não meramente florísticas. Nessa perspectiva mais refinada, o Cerrado não constitui um único bioma, mas sim um conjunto de biomas organizados em ecossistemas interdependentes, cuja compreensão exige o abandono de categorias simplificadoras e o reconhecimento da heterogeneidade como elemento central.
Os ecossistemas de campos— caracterizados por uma camada herbácea-arbustiva dominante e cobertura arbórea inferior a 5% — incluem Campo Limpo, Campo Sujo e Campo Rupestre, e ocorrem preferencialmente em solos mais rasos e bem drenados, com baixa fertilidade (Fig. 4; ver Quadro 2) [4]. Os campos do Cerrado estão sendo cada vez mais pressionados pela expansão urbana, fragmentando habitats e comprometendo sua integridade ecológica. Certas variantes enfrentam ameaças ainda maiores devido às suas características geológicas, que as tornam alvos privilegiados para a extração mineral, como Campo Rupestre, que se desenvolve em ambientes extremos de topo de morro com afloramentos rochosos [5]. Esses contextos altitudinais e líticos incluem também o Cerrado Rupestre, um ecossistema de savana único que combina elementos de campo e savana em substratos quartzíticos e ferruginosos, onde o endemismo e a especialização adaptativa atingem níveis extraordinários [6]. Juntos, o Campo Rupestre e o Cerrado Rupestre ocupam cerca de 7% da área total do Cerrado, destacando sua raridade e importância estratégica para a conservação da biodiversidade, especialmente por coexistirem no mesmo ambiente, representarem menos de 2% do território nacional, abrigarem cerca de um terço da flora brasileira e servirem como berço das águas do país [6, 7].
Apesar de sua importância ecológica, essas áreas têm sido particularmente visadas pela mineração, dada a sua proximidade com depósitos de ferro, nióbio, ouro e quartzo [5, 8]. A destruição de afloramentos rochosos, a supressão de vegetação rara e o comprometimento dos microclimas locais geram perdas ecológicas irreversíveis, especialmente devido à falta de reconhecimento legal desses ecossistemas, que muitas vezes sequer são identificados como prioritários em relatórios técnicos [6, 8]. Além disso, o aumento da frequência e da intensidade dos incêndios causados pela invasão de espécies exóticas ameaça espécies sensíveis ao fogo que antes sobreviviam isoladas em afloramentos rochosos, protegidas pela escassez de combustível natural nos cumes [9] (. Esse ciclo de incêndios, facilitado por espécies gramíneas invasoras, acelera a homogeneização da paisagem e coloca em risco definitivo as espécies endêmicas que dependem de microhabitats frágeis (Fig. 4). Finalmente, as espécies invasoras também podem aumentar indiretamente o risco de doenças infecciosas e zoonóticas, criando condições favoráveis à proliferação de vetores, como carrapatos, o que põe em perigo as populações animais, suas interações com as espécies vegetais e, também, representa riscos para a saúde humana [10].
Os ecossistemas de savana — caracterizados por um estrato descontínuo de árvores e arbustos sobre um sub-bosque herbáceo dominante, com cobertura arbórea variando entre 5% e 50% — abrangem uma diversidade de ecossistemas: Cerrado Denso, Cerrado Ralo, Cerrado Rupestre, Cerrado Típico, Palmeiral, Parque de Cerrado e Vereda (Fig. 4; ver Quadro 2) [4]. Esses ecossistemas geralmente se desenvolvem em solos profundos e ácidos, com baixa fertilidade, frequentemente moldados por regimes sazonais de chuvas e incêndios [4]. O Cerrado Denso, por sua vez, aproxima-se do limiar florestal, com um dossel quase contínuo e árvores de maior porte, o que desafia classificações simplistas e exige o reconhecimento de sua posição como um ecossistema de transição.
Embora dominem territorialmente o Ecodomínio Cerrado, as savanas têm sido intensamente convertidas em monoculturas agrícolas impulsionadas pela mecanização e pelo uso intensivo de fertilizantes e corretivos químicos, bem como por pastagens exóticas e silvicultura comercial, especialmente deEucalyptus spp. L’Hér. [11, 12]. A degradação desses ecossistemas compromete sua integridade funcional: espécies nativas são suprimidas, o regime natural de incêndios é alterado e as áreas remanescentes perdem sua identidade ecológica, dificultando os esforços de restauração e obscurecendo os limites entre formações abertas e secundárias. Nesse contexto, a Vereda, um ecossistema úmido único, está particularmente ameaçada pela expansão agrícola, pelo rebaixamento do lençol freático e pelo uso indevido de nascentes, o que compromete sua função ecológica e a sobrevivência da palmeira-buriti (Mauritia flexuosa Lf) e da palmeira-xiriri (Mauritiella armata (Mart.) Burret; [13] (Fig. 4).
Ecossistemas florestais — com cobertura arbórea superior a 50% — incluem o Cerradão, a Mata Ciliar, a Mata de Galeria e a Mata Seca (Fig. 4; ver Quadro 2) [4] e têm sido sistematicamente degradados por desmatamento seletivo, agricultura irrigada, pecuária intensiva, exploração madeireira, expansão urbana e mineração [14]. A abertura de novas áreas para plantio e atividades agrícolas causou uma redução significativa no Cerradão, processo que também exerce forte pressão sobre os recursos hídricos. Notavelmente, a crescente demanda por água para irrigação agrícola e dessedentação de animais reduziu consideravelmente a vazão de nascentes e córregos [15], impactando diretamente a Mata Ciliar e a Mata de Galeria. A expansão urbana, por sua vez, avança para áreas ripárias, impulsionada pela valorização imobiliária de terrenos próximos a cursos d’água. A urbanização intensifica o assoreamento, a impermeabilização do solo e a fragmentação florestal. A Mata Seca, especialmente em áreas calcárias, também é afetada pela extração de calcário, dolomita e fosfato, que destrói o substrato rochoso e impossibilita a regeneração ecológica.
A falta de reconhecimento legal específico para essas formações agrava sua vulnerabilidade, permitindo que sejam tratadas como áreas de “baixo valor ambiental” em processos de licenciamento. A perda dessas florestas compromete a biodiversidade associada, interrompe corredores ecológicos e enfraquece os serviços ecossistêmicos que sustentam a resiliência hidrológica e climática do Ecodomínio (Fig. 4). É importante ressaltar que as principais mudanças no uso da terra observadas nos campos, savanas e florestas do Cerrado são facilitadas pela abertura de novas estradas (Fig. 4). A construção de estradas atua como o principal motor da transformação do ecossistema, uma porta de entrada para ocupação e exploração, permitindo o acesso a áreas anteriormente preservadas, abrindo caminho para desmatamento, incêndios, espécies invasoras, agricultura, pecuária, monoculturas, mineração e urbanização (Fig. 4). Essa sequência de transformações é uma característica comum em todo o Ecodomínio Cerrado, intensificando a fragmentação e a degradação de seus diversos ecossistemas.
Algumas estratégias de conservação recentes têm recorrido à reclassificação de ecossistemas do Cerrado como pertencentes a outros Ecodomínios, com o objetivo de garantir maior proteção legal. Um exemplo emblemático é a tentativa de classificar o Campo Rupestre como parte da Mata Atlântica, sob o argumento de que ocorre em áreas de transição ou compartilha certos táxons florísticos [16]. No entanto, essa associação é ecologicamente imprecisa: trata-se de ecossistemas adaptados a solos líticos, climas extremos e altas altitudes, com altíssimo grau de endemismo e especialização, cuja identidade está profundamente enraizada no Ecodomínio Cerrado e na Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa no leste do Brasil que se estende por Minas Gerais e Bahia, e não na Mata Atlântica e seus Campos de Altitude[17]. Outro exemplo frequente de reclassificação visando obter proteção legal mais rigorosa sob a legislação da Mata Atlântica é a inclusão de florestas secas (incluindo o ecossistema da Mata Secado Cerrado) como parte desse Ecodomínio [18].
Essas tentativas de “translocação biogeográfica” revelam não apenas fragilidades institucionais, mas também uma dependência simbólica das florestas tropicais como paradigma de conservação. O mesmo ocorre com o Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25/05/2012, ver [19], que exige a proteção de 35% da vegetação nativa em áreas de Cerrado dentro da Amazônia Legal, mas apenas 20% no restante do Ecodomínio, uma assimetria que ignora a real vulnerabilidade e importância ecológica do território [20]. Em vez de tentar incluir os ecossistemas do Cerrado sob a guarda legal da Mata Atlântica ou da Amazônia, o caminho mais coerente e justo seria reconhecer definitivamente o Cerrado como o hotspot de biodiversidade que ele é. Isso implica proteger todos os seus ecossistemas com instrumentos legais próprios, sensíveis à sua heterogeneidade e à sua centralidade ecológica no território brasileiro.
Nem tudo se regenera: a banalização do fogo e o aumento da degradação do Cerrado
A percepção do Cerrado como um bioma de savana homogêneo, naturalmente resistente ao fogo, é uma das distorções mais graves causadas por essa simplificação perniciosa. Essa visão reducionista ignora a complexidade ecológica do Ecodomínio e torna invisível sua diversidade interna, apesar de o Cerrado abrigar dezenas de ecossistemas com diferentes estruturas, dinâmicas e graus de resiliência ao fogo [1, 4]. Ao tratar o Cerrado como um ecossistema uniforme, as políticas públicas e o discurso técnico acabam ignorando a degradação causada pelos incêndios. Essa distorção também enfraquece o combate aos incêndios criminosos, apoiando-se em narrativas como “o fogo sempre esteve aqui” e “logo tudo vai crescer de novo”, que funcionam como mecanismos de apagamento: desconsideram a diferença entre incêndios naturais e antropogênicos, negligenciam a vulnerabilidade dos ecossistemas mais sensíveis e eximem o ser humano da responsabilidade pela intensificação e banalização dos incêndios.
Muitas espécies do Cerrado, especialmente arbustos lenhosos, evoluíram sob regimes naturais de fogo e desenvolveram adaptações morfofisiológicas que lhes conferem resistência e resiliência a essa perturbação [21-23]. Essas especializações incluem folhas coriáceas e pilosas, um ritidoma espesso que protege os tecidos internos contra o calor e diversas estruturas subterrâneas de armazenamento — como xilopódios, tubérculos, bulbos, cormos e rizomas — além de raízes profundas que favorecem a rebrota após o fogo [21, 24]. Além disso, muitas espécies lenhosas exibem capacidade de rebrota basal ou epicórmica. Em algumas delas, o fogo atua inclusive como um gatilho ecológico: existem sementes cuja germinação depende da passagem do fogo, seja pelo calor, por alterações químicas no solo ou pela remoção da cobertura vegetal [25]. Devido a essas características adaptativas, alguns ecossistemas do Cerrado são classificados como pirobioma, vegetação adaptada a incêndios naturais [1].
No entanto, essa relação não se estende a todas as espécies ou a todos os ecossistemas do Ecodomínio, muitos dos quais são altamente vulneráveis ao fogo [1]. Formações florestais como a Mata de Galeria e a Vereda são particularmente sensíveis, pois suas espécies não possuem adaptações para resistir às chamas e dependem de ambientes úmidos e sombreados para sobreviver (Fig. 4) [26]. O mesmo ocorre em áreas de Campo Rupestre e Cerrado Rupestre, que abrigam um grande número de espécies sensíveis ao fogo que sobrevivem em afloramentos rochosos onde a escassez de combustível natural impede a propagação das chamas (Fig. 4) [6, 9]. A invasão de espécies exóticas, especialmente gramíneas, que acumulam biomassa inflamável, tem aumentado a frequência e a intensidade dos incêndios em cumes de serras, colocando essas espécies em risco [9]. Compreender a distribuição dessas adaptações é, portanto, essencial para diferenciar o fogo ecológico do fogo predatório e para elaborar políticas de manejo que respeitem a diversidade funcional dos ecossistemas do Cerrado.
Mesmo espécies adaptadas ao fogo não estão preparadas para enfrentar o atual regime de incêndios antropogênicos [27]. Incêndios naturais, causados por raios, são raros e pouco frequentes, podendo levar anos ou décadas para que ocorram novamente na mesma área, permitindo a regeneração da vegetação. Incêndios criminosos, provocados pela ação humana, interrompem esse ciclo. Estima-se que 99% dos incêndios no Brasil sejam de origem antropogênica, frequentemente ligados ao desmatamento, à expansão agrícola e à negligência no manejo [28]. Esses incêndios ocorrem com frequência crescente, intensidade descontrolada e fora da sazonalidade natural [27, 29, 30]. De 1985 a 2022, os incêndios impactaram 40% (792.204 km²)do Ecodomínio Cerrado, com 63% dessa área queimada mais de uma vez [27]. Embora o atual governo brasileiro tenha conseguido reduzir o desmatamento no Cerrado em 25,77% em 2024, segundo o programa PRODES do INPE [31], esses dados não captam a degradação causada pelo fogo.
Incêndios recorrentes comprometem a estrutura ecológica dos ecossistemas, mesmo sem a remoção total da vegetação. Em 2024, o Cerrado registrou cerca de 14,6 milhões de hectares de terra queimada, o maior número desde 2012, revelando um colapso no regime ecológico do fogo [32]. É importante ressaltar que os povos indígenas não são responsáveis por esse cenário: ao contrário do que afirmam os negacionistas, eles manejam o fogo de forma controlada e criteriosa, baseada em conhecimentos tradicionais. Suas práticas envolvem queimadas de baixa intensidade, realizadas em épocas específicas do ano, com objetivos definidos e baseadas em indicadores naturais e conhecimento sofisticado que contribuem para a conservação da paisagem [29].
Romper com os mitos que sustentam a devastação do Cerrado é mais do que um imperativo ecológico; é um gesto ético. Não se trata apenas de defender a vegetação que irá “renascer”, mas de reconhecer o colapso de um equilíbrio complexo que sustenta a biodiversidade, os modos de vida e a estabilidade climática. O fogo pode ser um aliado, mas quando fora de controle e alimentado por interesses econômicos predatórios, torna-se uma força de destruição. Há uma escolha política entre negar a complexidade e preservá-la. Essa escolha precisa ser feita com clareza e coragem. [33]
Notas
[1] Coutinho LM (2006). O conceito de bioma. Acta Botanica Brasílica 20: 13–23.
[2] Batalha MA (2011). The Brazilian Cerrado is not a biome. Biota Neotropica 11(1): 21–24.
[3] Silveira FAO (2025). Seven ways to prevent biomism. Ambio54: 1491–1495.
[4] Ribeiro JF, Walter BMT (2008). As principais fitofisionomias do bioma Cerrado. In: Sano SM, Ameida SP, Ribeiro JF (Eds) Cerrado: Ecologia e Flora. Embrapa-CPAC, Planaltina, DF. p. 151–212.
[5] Silveira FAO, Negreiros D, Barbosa NPU, Buisson E, Carmo FF, Carstensen DW, Conceição AA, Cornelissen TG, Echternacht L, Fernandes GW, Garcia QS, Guerra TJ, Jacobi CM, Lemos-Filho JP, Le Stradic S, Morellato LPC, Neves FS, Oliveira RS, Schaefer CE, Viana PL, Lambers H (2016). Ecology and evolution of plant diversity in the endangered campo rupestre: A neglected conservation priority. Plant and Soil403(1): 129–152.
[6] Pereira CC, Fernandes GW (2022a). Cerrado Rupestre is not Campo Rupestre: The unknown and threatened savannah on rocky outcrops. Nature Conservation 49: 131–136.
[7] Reatto A, Correia JR, Spera ST (1998). Solos do Bioma do Cerrado: aspectos pedológicos. In: Sano SM, Almeida SP (Eds) Cerrado: Ambiente e Flora. Embrapa/CPAC, Planaltina, DF. p. 47–86.
[8] Fernandes GW, Arantes-Garcia L, Barbosa M, Barbosa NPU, Batista EKL, Beiroz W, Resende FM, Abrahão A, Almada ED, Alves E, Alves NJ, Angrisano P, Arista M, Arroyo J, Arruda AJ, Bahia T de O, Braga L, Brito L, Callisto M, Caminha-Paiva D, Carvalho M, Conceição AA, Costa LN, Cruz A, Cunha-Blum J, Dagevos J, Dias BFS, Pinto VD, Dirzo R, Domingos DQ, Echternacht L, Fernandes S, Figueira JEC, Fiorini CF, Giulietti AM, Gomes A, Gomes VM, Gontijo B, Goulart F, Guerra TJ, Junqueira PA, Lima-Santos D, Marques J, Meira-Neto J, Miola DTB, Morellato LPC, Negreiros D, Neire E, Neves AC, Neves FS, Novais S, Oki Y, Oliveira E, Oliveira RS, Pivari MO, Junior EP, Ranieri BD, Ribas RP, Scariot A, Schaefer CE, Sena L, da Silva PG, Siqueira PR, Soares NC, Soares-Filho B, Solar R, Tabarelli M, Vasconcellos R, Vilela E, Silveira FAO (2020). Biodiversity and ecosystem services in the Campo Rupestre: A road map for the sustainability of the hottest Brazilian biodiversity hotspot. Perspectives in Ecology and Conservation 18: 213–222.
[9] Neves SPS, Conceição AA (2010). Campo rupestre recém-queimado na Chapada Diamantina, Bahia, Brasil: Plantas de rebrota e sementes, com espécies endêmicas na rocha. Acta Botanica Brasílica 24(3): 697–707.
[10] Flory SL, Ryan SJ, Taneja YV, Muñoz M, Hiatt D, Lippi CA, Allan BF (2025). Impacts of plant invasions on tick-borne disease risk. BioScience 75: biaf153.
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[13] Nunes YRF, Souza CS, Azevedo IFPD, Oliveira OSD, Frazão LA, Fonseca RS, Santos RMD, Neves WV (2022). Vegetation structure and edaphic factors in veredas reflect different conservation status in these threatened areas. Forest Ecosystems9: 100036.
[14] Beuchle R, Grecchi RC, Shimabukuro YE, Seliger R, Eva HD, Sano E, Achard F (2015). Land cover changes in the Brazilian Cerrado and Caatinga biomes from 1990 to 2010 based on a systematic remote sensing sampling approach. Applied Geography 58: 116–127.
[15] Latrubesse EM, Arima E, Ferreira ME, Nogueira SH, Wittmann F, Dias MS, Dagosta FCP, Bayer M (2019). Fostering water resource governance and conservation in the Brazilian Cerrado biome. Conservation Science and Practice 1: e77.
[16] Miola DTB, Marinho AP, Dayrell RLC, Silveira FAO (2019). Silent loss: Misapplication of an environmental law compromises conservation in a Brazilian biodiversity hotspot. Perspectives in Ecology and Conservation 17: 84–89.
[17] Vasconcelos MFD (2011). O que são campos rupestres e campos de altitude nos topos de montanha do leste do Brasil? Revista Brasileira de Botânica. Brazilian Journal of Botany 34: 241–246.
[18] Espírito-Santo MM, Fernandes GW, Barbosa RS, Anaya FC (2011). Mata seca é mata atlântica? Ciência Hoje 288: 74–76.
[19] PR (Presidência da República) (2012). Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012.
[20] Metzger JP, Bustamante MMC, Ferreira J, Fernandes GW, Librán-Embid F, Pillar VD, Prist PR, Rodrigues RR, Vieira ICG, Overbeck GE (2019. Why Brazil needs its Legal Reserves. Perspectives in Ecology and Conservation17: 91–103.
[21] Coutinho LM (1982). Ecological effects of fire in Brazilian cerrado. In: Huntley BJ, Walker BH (Eds) Ecology of Tropical Savanas. Springer, Berlim, Alemanha. p. 273–291.
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[23] Pivello VR, Martins M, Christianini AV, Carmignotto AP, Gomes BF, Fidelis A (2025). Fire in the Cerrado. In: Fidelis A, Pivello VR (Eds), Fire in the South American Ecosystems. Springer Nature, Cham, Suiça. p. 113–155.
[24] Veldman JW, Buisson E, Durigan G, Fernandes GW, Le Stradic S, Mahy G, Negreiros D, Overbeck GE, Veldman RG, Zaloumis NP, Putz FE, Bond WJ (2015a). Toward an old‐growth concept for grasslands, savannas, and woodlands. Frontiers in Ecology and the Environment 13: 154–162.
[25] Zupo T, Daibes LF, Pausas JG, Fidelis A (2021) Post‐fire regeneration strategies in a frequently burned Cerrado community. Journal of Vegetation Science 32: e12968.
[26] Nunes YRF, Souza CS, Azevedo IFPD, Oliveira OSD, Frazão LA, Fonseca RS, Santos RMD, Neves WV (2022). Vegetation structure and edaphic factors in veredas reflect different conservation status in these threatened areas. Forest Ecosystems9: 100036.
[27] da Silva Arruda VL, Alencar AAC, de Carvalho Júnior OA, de Figueiredo Ribeiro F, de Arruda FV, Conciani DE, da Silva WV, Shimbo JZ (2024). Assessing four decades of fire behavior dynamics in the Cerrado biome (1985 to 2022). Fire Ecology 20: 64.
[28] Agência Brasil (2024). Monitoramento mostra que 99% dos incêndios são por ação humana.
[29] Pivello VR (2011). The use of fire in the Cerrado and Amazonian rainforests of Brazil: Past and present. Fire Ecology 7: 24–39.
[30] Diele-Viegas LM, Sales LP, Hipólito J, Amorim C, Pereira EJAL, Ferreira P, Folta C, Ferrante L, Fearnside PM, Malhado AC, Rocha CFD, Vale MM (2022). We’re building it up to burn it down: Fire occurrence and fire-related climatic patterns in Brazilian biomes. PeerJ10: e14276.
[31] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) (2025). PRODES: Annual rates and suppression of native vegetation, in the sections, biomes of Brazil and Legal Amazon.
[32] WWF (World Wide Fund for Nature) (2024). Year-to-date, wildfires break record in Brazilian biomes.
[33] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm & P.M. Fearnside. 2026. The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil’s biodiversity hotspot. Nature Conservation 61: 29–70. Supplementary material.
Sobre os autores
Cássio Cardoso Pereira é doutorando em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestre em ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa. Está ligado ao Knowledge Center for Biodiversity & Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, da UFMG. Para mais informações, acesse: https://cassiocardosopereira.com
Walisson Kenedy Siqueira possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity & Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes.
Lara Ribeiro Maia é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.
Vinícius da Fontoura Sperandei possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.
Lucas Arantes-Garcia possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.
Stephannie Fernandes é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.
Gabriela França Carneiro Fernandes possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.
Gislene Carvalho de Castro possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão ”Restaurar” que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
Domingos de Jesus Rodrigues possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.
Rodolfo Aureliano Salm formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.
Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.
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