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A Amazônia Legal é um território composto por diversas identidades culturais, em que tradições indígenas, africanas e europeias se entrelaçam e dão origem a manifestações culturais. Entre essas manifestações, as danças populares transmitem, de geração em geração, histórias, crenças, modos de vida e sentimentos.
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O Portal Amazônia procurou por algumas dessas danças que fazem parte das celebrações espalhadas nos nove estados da Amazônia Legal. Confira:
Suça (Tocantins)
A Suça, também conhecida como Súcia ou Sússia, é uma das manifestações culturais mais antigas do Tocantins. De acordo com informações do Governo do Estado, sua origem remonta ao século XVIII, quando africanos escravizados foram levados para trabalhar na mineração de ouro na região sudeste do estado.
Dançada nas festividades folclóricas de cidades como Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe e Tocantinópolis, a dança combina canto, ritmo e movimentos embalados por tambores e cuícas.
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Além disso, versos curtos, inspirados no cotidiano, são entoados ao som de instrumentos como viola, tambor, pandeiro e caixa. A dança varia conforme a comunidade, já que cada grupo imprime seu próprio ritmo, passos e significados.
A Suça também está profundamente ligada às manifestações religiosas do catolicismo popular, como a Folia do Divino, e um dos passos mais característicos é a ‘Jiquitaia’, que integra a coreografia tradicional. De acordo com o Governo do Tocantins, apesar de ainda não ser oficialmente registrada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a instituição reconhece sua relevância cultural.
A transmissão entre gerações, como ocorre em famílias de mestres suceiros, garante a continuidade dessa tradição, aprendida desde a infância e mantida ao longo da vida.
Cacuriá (Maranhão)
O Cacuriá é uma dança típica do Maranhão, presente especialmente no encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. De acordo com o livro ‘Vem cá curiar o cacuriá!’, da jornalista Inara Rodrigues, a dança foi criada em 1973 pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro.
Inspirado no Carimbó das Caixeiras, o Cacuriá reúne influências de diversos ritmos, como próprio Carimbó, o Bumba meu boi e os ritmos das caixas da Festa do Divino Espírito Santo. A manifestação é marcada por coreografias sensuais, músicas com duplo sentido e forte interação entre os dançarinos e o público.

A dança é realizada em roda, com pares que executam movimentos rápidos e cheios de improviso, embalada por músicas que abordam temas como natureza, crenças e cotidiano, conduzidas por um coro que responde aos versos improvisados.
Popularmente, o Cacuriá também é associado à figura de Dona Teté, que, em 1986, criou sua própria versão da dança. Segundo a jornalista Inara Rodrigues, a manifestação acontece após a fase religiosa das festividades, configurando-se como momento de descontração.
Os instrumentos incluem a ‘Caixa do Divino’, o banjo, o violão e a flauta, e os trajes são de cores vibrantes e combinados: mulheres usam saias rodadas e blusas curtas, enquanto os homens vestem peças com estampas semelhantes.
Siriri (Mato Grosso)
O Siriri é uma dança tradicional do Centro-Oeste, especialmente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com o artigo ‘O Siriri: Uma Manifestação Cultural‘, publicado na Revista de Comunicação Científica, escrito por Sônia Pereira e Carlos Rinaldi, trata-se de uma dança alegre, com coreografias simples em roda ou fileiras.
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A origem da dança é resultado da mistura de culturas indígenas, africanas e europeias, e que inicialmente era ligada a rituais religiosos, mas passou a integrar festas populares e celebrações comunitárias. Os movimentos são marcados por palmas, gestos sincronizados e expressões de alegria, embalados por instrumentos como a viola de cocho, o ganzá e o mocho, todos de fabricação artesanal.
De acordo com os escritores, os trajes típicos dos dançarinos também são marcados por cores vibrantes, em que as mulheres vestem saias rodadas, enquanto os homens utilizam calças compridas e camisas de manga longa.
Atualmente, a cidade de Cuiabá se destaca como casa da cultura local, abrigando diversos grupos de Siriri que se dedicam à preservação e a divulgação da dança.
Marujada (Acre)
A Marujada é uma dança típica do Acre que narra histórias de navegação em alto-mar. De acordo com o artigo ‘O Folguedo Marujada Brincado/Dançado no Acre: Tradição carnavalizada que integra a cultura corporal do Estado Amazônico‘, a tradição foi consolidada por mestres como Aldenor da Costa Souza, Zuleide Cordeiro e Chico do Bruno.

De acordo com os escritores, a manifestação surgiu por volta da década de 1950, implementada por um mestre de Manaus (AM), e que desde então, tem sido preservada por famílias e grupos culturais locais, como o Marujos da Alegria. A dança, realizada especialmente durante o carnaval, em espaços públicos e residências, envolve personagens que representam funções dentro de uma embarcação, como maquinistas e marinheiros.
Segundo o artigo, os grupos percorriam diversas casas, recebendo como retribuição alimentos ou pequenas recompensas, reforçando o caráter comunitário da manifestação. “Mas a maioria das vezes era uma ceia que eles comiam nessas casas, festejavam e bebiam, então era uma tradição deles”, relata o corpo brincante.
Jacundá (região amazônica)
O Jacundá é uma dança de origem indígena bastante popular na Amazônia como um todo. Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, trata-se de uma dança de roda em que homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas.
Durante a execução, um participante vai ao centro e tenta escapar do círculo, enquanto os demais impedem sua saída, e quando consegue, outro assume seu lugar, continuando a dança repetidamente ao som de uma cantiga única.
Lundu Marajoara (Pará)
O Lundu Marajoara é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil, com origem africana. De acordo com o artigo ‘No bater da palma, o ‘lundu’ se torna ‘dança’ – a ‘dança’ que me torna professor(a)‘, de Antônio Benedito Lima Pantoja, a dança foi trazida por pessoas escravizadas da Angola e introduzido no Brasil ainda no período colonial, sendo inicialmente praticado nas senzalas.
Ao chegar à Ilha do Marajó, especialmente na região de Soure, o Lundu passou por um processo de ressignificação. De acordo com o autor, a dança foi adaptada ao modo de vida local, incorporando elementos da cultura dos vaqueiros e das comunidades marajoaras, se tornando uma manifestação popular.
Marcada pela sensualidade, a coreografia simula um jogo de sedução entre um homem e uma mulher, incluindo movimentos de quadril, olhares e gestos que representam um ritual de conquista, embalados por um ritmo lento e cadenciado, em que predominam os instrumentos de sopro e os atabaques.
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Historicamente, o Lundu chegou a ser censurado pela Igreja Católica por ser considerado imoral, no entanto, também conquistou espaço nas cortes europeias. Segundo o artigo, há um momento em que a mulher tenta cobrir a cabeça do homem com a saia, gesto que remete tanto à conquista amorosa quanto à metáfora da pesca com tarrafa, elemento presente no cotidiano da região.
Os trajes femininos incluem saias rodadas e blusas curtas, que deixam os ombros e o abdômen à mostra, enquanto os homens dançam sem camisa e com calça curta, vestimentas que remetem às roupas usadas pelos escravizados. A coreografia envolve formações em filas e rodas, conduzidas por um marcador que orienta os movimentos por meio de palmas, e passos que incluem batidas de pés, estalos de dedos e giros.
Além disso, a dança é acompanhada por instrumentos como curimbó, flautas e cavaquinho. Atualmente, o Lundu Marajoara é mantido por grupos folclóricos e parafolclóricos, como Aruans, Eco Marajoara e Cruzeirinho, que atuam na preservação dessa tradição.
Gambá de Pinhel (Pará)
O Gambá de Pinhel é uma dança ligada à Festa de São Benedito, realizada na comunidade de Pinhel, no Pará. De acordo com Lima e Amorim, no artigo ‘Narrativas Orais sobre a Festa do Gambá: fé e cidadania‘, o nome refere-se a um tambor de madeira oca que marca o ritmo da celebração.
A festividade acontece anualmente em junho e reúne moradores de diversas comunidades da região, como Camarão e Escrivão, além de cidades próximas como Santarém e Itaituba. Na dança, as figuras centrais são o Rei e a Rainha, que se apresentam com roupas brilhantes nas cores verde, vermelho, branco e amarelo, e coroas adornadas com fitas coloridas que se estendem até a cintura.
A coreografia é simples, baseada no arrastar dos pés de um lado para o outro, acompanhando o ritmo do tambor. Segundo os autores, à medida que a apresentação avança, outras pessoas, que inicialmente eram espectadores, passam a integrar a dança, transformando o momento em uma grande celebração comunitária.
Desfeiteira (Amazonas)
A Desfeiteira é uma dança de origem portuguesa presente no Amazonas e em Alter do Chão (PA), onde é praticada durante o Sairé. Trata-se de uma das variações do fandango, caracterizada pelo seu caráter lúdico e humorístico.
De acordo com a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, a dinâmica da dança envolve pares que se movimentam pelo salão ao som de uma orquestra composta por instrumentos como violão, flauta, cavaquinho e, em alguns casos, trombone.
O momento mais marcante acontece quando a música para e o casal que estiver posicionado em frente à orquestra precisa improvisar um verso, geralmente declamado pelo cavalheiro. Caso não consiga ou cometa erros, o par é vaiado e precisa pagar uma ‘prenda’, o que reforça o tom descontraído da brincadeira.
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Maçarico (Amazonas)
A dança do Maçarico é uma das mais populares manifestações folclóricas do Amazonas. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, seu nome faz referência ao pássaro maçarico, comum na fauna regional.
A principal característica da dança está na imitação dos movimentos da ave. Os dançarinos realizam passos rápidos, com pequenas corridas, pulos e deslocamentos ágeis, lembrando o caminhar leve e acelerado do pássaro.
Além disso, a coreografia é executada por vários casais, que percorrem o espaço com movimentos variados, embalados por um ritmo acelerado e contagiante, o que torna a dança bastante envolvente para o público. Diferentemente de outras manifestações, o Maçarico não está associado a celebrações religiosas, já que trata-se de uma dança voltada ao entretenimento, com foco na performance e na expressão corporal.
O figurino masculino é composto por camisa e calça, geralmente em cores diferentes, enquanto o das mulheres é comporto por blusas e saias elaboradas e coloridas.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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