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Duas novas cultivares de abacaxi adaptadas são lançadas por pesquisadores da Unemat em Mato Grosso

Duas novas cultivares de abacaxi adaptadas são lançadas por pesquisadores da Unemat em Mato Grosso

Willian Krause na Unidade Demonstrativa em Lucas de Rio Verde. Foto: Arquivo Pessoal

Após mais de uma década de pesquisas, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra, colocou no mercado duas novas cultivares de abacaxi desenvolvidas para as condições de cultivo de Mato Grosso: a Unemat Diamantina e a Unemat Rubi. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), priorizou resistência a doenças, desempenho agronômico e estabilidade produtiva para os produtores rurais.

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A iniciativa integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (Cpeda) da Unemat e do programa de extensão MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias para o campo. A cultura do abacaxi tem grande importância no Brasil, tanto no consumo in natura quanto no potencial de exportação, colocando o país entre os quatro maiores produtores mundiais.

O principal gargalo da cadeia, porém, continua sendo a fusariose do abacaxizeiro, causada pelo fungo Fusarium guttiforme. A doença atinge especialmente cultivares tradicionais como Pérola e Jupi, altamente suscetíveis. A enfermidade compromete diferentes fases da planta e pode levar a perdas de até 80% da produção, com redução de crescimento, exsudação e apodrecimento dos tecidos. Nos frutos, o ataque resulta em polpa mole, pegajosa, escurecida, com mau cheiro e alteração de textura e sabor, inviabilizando o consumo.

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Pesquisadores da Unemat lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso. Foto: Davi Junghans/Embrapa

Frente a esse cenário, o melhoramento genético foi adotado como estratégia para reduzir perdas, diminuir o uso de fungicidas e melhorar o manejo da cultura. Em 2012, pesquisadores da Unemat implantaram um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de abacaxi, reunindo diferentes materiais genéticos para avaliação. A partir daí, foram conduzidas etapas de análise de incidência de doenças, avaliação de caracterização agronômica, estudos de diversidade genética, cruzamentos controlados, formação de populações e seleção de clones com uso de métodos estatísticos (REML/BLUP), além de testes de campo para resistência à fusariose. O processo culminou na seleção final de materiais promissores e no lançamento, em 2024, das cultivares Unemat Diamantina e Unemat Rubi.

Do ponto de vista agronômico e de qualidade de frutos, as duas cultivares apresentam características bem definidas. A Unemat Rubi se destaca pelo formato cilíndrico, polpa amarela, massa média de 1,4 kg e teor de sólidos solúveis de 14° Brix. Já a outra cultivar atinge massa média de 2,3 kg e 13,5° Brix, indicando maior doçura potencial. Ambas apresentam acidez titulável em torno de 0,4% e relação açúcar/acidez superior a 30, o que garante um bom equilíbrio entre doçura e acidez, atributo valorizado para o consumo in natura.

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Pesquisadores da Unemat lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso. Foto: Luciano Gomes/Seaf-MT

No manejo, a recomendação é o uso de mudas tipo filhote, previamente classificadas por tamanho e submetidas à cura ao sol por cerca de sete dias. O plantio pode ser feito em sulcos ou covas, com organização em mudas para maior uniformidade do estande, em densidade entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare. A adubação deve seguir análise de solo, com aplicações anuais e manutenção durante o ciclo. Além disso, recomenda-se o controle de plantas daninhas, que competem por nutrientes e luz, sobretudo nos estágios iniciais. A irrigação recomendada varia entre 60 e 120 mm mensais, de acordo com as condições climáticas e de solo.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor doutor Willian Krause, as duas cultivares apresentam porte ereto e desenvolvimento vegetativo superior a um metro de altura.

“A Unemat Diamantina possui altura média de 1,02 m, enquanto a Rubi atinge cerca de 96,5 cm. Esse porte vertical favorece o fechamento do dossel de folhas e a proteção natural da muda de tipo filhote, o que influencia diretamente na propagação e no manejo da cultura”, explica.

Uma característica que chama a atenção é a ausência de espinhos nas folhas, fator que facilita os tratos culturais, a colheita e o manejo da lavoura, reduzindo o risco de acidentes e aumentando a eficiência operacional. As principais diferenças entre as cultivares estão na coloração das folhas: a Diamantina apresenta folhas verdes, enquanto a Rubi possui folhas com tonalidade arroxeada.

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Foto: Lucas Diego/Seaf-MT

No campo fitossanitário, Diamantina e Rubi se destacam pela resistência à fusariose, o que reduz a necessidade de defensivos químicos e contribui para maior estabilidade produtiva.

“O desenvolvimento das cultivares Diamantina e Rubi representa uma alternativa tecnológica para os produtores alcançarem resistência genética a doenças, melhoria no manejo, maior padronização da produção e redução de custos com insumos. Além disso, evidencia a importância da pesquisa pública na geração e difusão de tecnologia para o fortalecimento da agricultura em Mato Grosso”, ressalta Krause.

*Com informações da Universidade do Estado do Mato Grosso.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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