Primeira turma indígena de mestrado do Brasil. Foto: Divulgação
A aula inaugural da primeira turma de mestrado profissional voltada exclusivamente a enfermeiros indígenas foi realizada no dia 18 de março, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, no Amazonas. A iniciativa é considerada inédita no país e marca um avanço na formação de profissionais de enfermagem em territórios indígenas.
A ação conta com financiamento do Sistema Conselho Federal de Enfermagem/Conselhos Regionais, por meio do Programa Profen – Mestrado e Doutorado em Enfermagem – Acordo Cofen-Capes, que destina recursos para programas de pós-graduação em enfermagem em todo o país, com foco na formação de mestres e doutores e na qualificação dos serviços de saúde.
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O curso é ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico da Escola de Enfermagem de Manaus pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e contempla uma turma de 10 enfermeiros indígenas que atuam no município. A formação tem como foco a qualificação profissional aliada à realidade dos territórios, com o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades locais.
Mestrado em São Gabriel da Cachoeira (AM)
Localizado no noroeste do Amazonas, São Gabriel da Cachoeira é reconhecido como uma das cidades mais indígenas do mundo. A região do Alto Rio Negro concentra mais de 85 enfermeiros indígenas em atividade, o que contribuiu para a construção da proposta do curso de mestrado.

O projeto busca integrar a formação científica da enfermagem aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, promovendo uma abordagem que considera aspectos culturais, territoriais e sociais no cuidado em saúde.
Representando o sistema Cofen/Conselhos Regionais, o diretor-secretário do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas Zilmar Augusto destacou a importância da iniciativa para a interiorização da formação profissional.
“Nós não iremos retirar esses profissionais de seus territórios. Pelo contrário, o corpo docente do programa é que se deslocará até o município, garantindo que essa formação aconteça dentro da realidade local, sem afastá-los de suas comunidades”, afirmou.
Zilmar também ressaltou o caráter simbólico da iniciativa.
“Estamos diante de um marco histórico para a enfermagem brasileira, especialmente para a enfermagem amazônica, ao reconhecer que a ciência precisa dialogar com os saberes tradicionais e as realidades dos povos originários”, completou.
Além da UFAM e do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, a iniciativa conta com a participação de instituições parceiras, como Instituto Federal do Amazonas de São Gabriel da Cachoeira, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, organizações indígenas (FOIRN) e gestores locais.
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