Foto: Divulgação/Imaflora
No município de São Félix do Xingu, no Pará, um grupo de 43 mulheres está mostrando que é possível garantir fonte de renda na floresta mesmo mantendo ela em pé. É o resultado da marca ‘Delícia do Quintal’, criada por uma associação de mulheres que mudou uma área de capim em floresta produtiva através do beneficiamento de frutas e verduras.
Com suporte técnico do programa Florestas de Valor do Imaflora, apoiado pela Petrobras, a Associação das Mulheres de Polpa de Fruta (AMPPF) implantou Sistemas Agroflorestais que combinam espécies nativas, frutíferas e cultivos da agricultura familiar no município, que é historicamente marcado pelos altos índices de desmatamento associados à pecuária.
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A transformação produtiva, que completa 13 anos em 2026, opera com infraestrutura própria, incluindo usina de processamento e câmaras frias, voltada ao beneficiamento de frutas que antes se perdiam nos quintais das famílias. A produção, inclusive, chega diretamente à mesa de crianças e adolescentes por meio de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Ao gerar demanda estável para produtos da sociobiodiversidade, essas políticas reduzem a pressão por abertura de novas áreas e valorizam a produção local.
“Garantimos que a associação tenha segurança jurídica e técnica para gerir recursos públicos com transparência. O PNAE e o PAA funcionam como ferramentas de conservação ambiental ao criarem um mercado institucional para a agricultura familiar sustentável”, comenta Celma de Oliveira, coordenadora do Florestas de Valor do Imaflora em São Félix do Xingu.
Com apoio do PNAE, a associação movimentou aproximadamente R$ 375 mil em um único ano, consolidando-se como referência local de empreendedorismo feminino.
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Impactos da floresta produtiva

Além da geração de renda, a transformação produtiva representar algumas mudanças positivas nos aspectos ambiental e social. De acordo com a presidente da AMPPF, Maria Josefa Machado Neves, as mudanças representam um ganho significativo na paisagem natural.
“Hoje a gente olha pela janela e não vê mais o amarelado do capim. Com os novos plantios, passamos a morar no meio da floresta”, relata Maria Josefa.
O modelo baseado nos SAFs demonstra como inclusão produtiva, governança participativa e acesso a mercados institucionais podem reduzir conflitos ambientais e fortalecer a economia local. A autonomia econômica feminina impacta diretamente na qualidade de vida das famílias, ampliando investimentos em saúde, educação e segurança alimentar.
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Em fevereiro deste ano, a AMPPF assinou novo contrato com o PNAE para fornecimento alimentos à rede municipal de ensino. A iniciativa conecta a produção sustentável da Amazônia diretamente à alimentação escolar.
Mais do que um contrato comercial, trata-se do reconhecimento do trabalho dessas mulheres, que transformam saberes tradicionais e manejo responsável da floresta em oportunidades concretas de desenvolvimento local.
Ao incentivar cadeias produtivas sustentáveis e o acesso ao mercado institucional, o apoio do Florestas de Valor fortalece a agricultura familiar, promove a conservação da floresta e contribui para um modelo de desenvolvimento que alia inclusão social, segurança alimentar e respeito aos modos de vida amazônicos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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