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Violência contra mulheres pobres cresce no Ceará

Assassinato de mulheres no Sertão Central: O que esperar de um 2020 que já começou matando mulheres no interior do estado?

 Redação Ceará


Foto: Acervo

É fato que a violência contra as mulheres, incluindo assassinatos, tem aumentado nos últimos anos e abrange todas as regiões do país, desde grandes cidades até as regiões antes consideradas mais pacatas, a região do Sertão Central do Ceará é mais um triste exemplo dessa realidade. 

No ano de 2019 o caso da estudante universitária Danielle Oliveira de 20 anos, estuprada e assassinada em Pedra Branca (CE) pelo “Zé do Valério” repercutiu e causou comoção em todo o estado. Mas este, infelizmente, foi um dos muitos casos de violência contra as mulheres ocorridas neste ano. De acordo com pesquisa realizada pelo G1 sobre violência contra a mulher, em 2018 tivemos a amarga marca de 447 casos de assassinatos relacionados a mulheres no Ceará, isso sem contabilizar os outros dados relacionados à violência contra mulheres, como violência doméstica e abusos.

Estamos iniciando um ano novo e uma nova década, mas as promessas de mudanças e de tempos melhores ainda estão distantes de se realizarem. Terminamos o ano de 2019 com um caso de assassinato  e mais quatro casos nos primeiros dias de 2020, todos os casos registrados no sertão central, realidade que nos mostra a continuidade e o crescimento da violência contra mulheres, que tem bases fortes em uma sociedade patriarcal, machista, marcada por desigualdades sociais e racismos.

Os casos mais recentes não foram iguais ao da estudante Danielle, que geraram ampla repercussão e comoção, porém apresentam semelhanças que nos mostram o quanto nossa sociedade legitima toda essa violência, com discursos carregados de preconceitos de classe e gênero, fazendo com que esses crimes se tornem corriqueiros, banais e em casos mais extremos, considerados justos, visto o modo de vida e os parceiros que essas mulheres escolheram:


Sandiele Ferreira Lima, 23 anos, suspeita de ter sido o motivo de uma discussão que culminou na morte do namorado dela, Daniel Almeida de Souza, conhecido como “Danielzinho“, da mesma idade, foi encontrada morta ainda na noite desta sexta-feira (6) em uma estrada de acesso à localidade de Ribeira, uma comunidade rural de Banabuiú. Populares encontraram o corpo dela por volta das 21h30, quando cruzavam a estrada, e informaram a Polícia.

Horas antes o delegado Renato Magalhães Araújo, à frente da Delegacia da Polícia Civil em Banabuiú, havia colhido o depoimento de “Sandi”, como a vítima era conhecida, sobre a morte do namorado. ” 

Fonte: Diário do Nordeste


“Na tarde desta quinta-feira (2), na cidade de Banabuiú, no Sertão Central, quando dois homens armados invadiram uma residência e assassinaram, a tiros, a jovem Clarissa Gomes da Silva, 24 anos, que estava grávida. […]

De acordo com as primeiras informações da Polícia, dois homens invadiram a casa e executaram a mulher sem nada roubar, o que afasta a hipótese de um crime de latrocínio (roubo seguido de morte). Baleada, a jovem morreu dentro da casa dos pais. Sobre os motivos da execução, a Polícia não sabe, ainda, o que aconteceu. O marido era testemunha de crime de morte. Porém, as autoridades não sabem se esta seria a causa da morte de Clarissa. ”

Fonte: G1


“O primeiro de final de semana está sendo marcado por mortes em Quixadá, no sertão Central do Ceará. Na noite deste sábado, 4, duas mulheres foram assassinadas em um bar que fica no residencial Raquel de Queiroz.

De acordo com a Polícia, dois indivíduos em uma motocicleta chegaram ao estabelecimento comercial, e dispararam contra as vítimas que estavam no local. Kathly Anny Freitas da Silva, 22, e Laura Adriana Freitas Carneiro, 43, foram atingidas e vieram a óbito. Segundo populares, Laura era a proprietária do bar. Já Kathly Anny era sua empregada. ”

Fonte: Ceará News


“O município de Banabuiú, no Sertão Central, registrou o segundo homicídio a bala no ano de 2020. Mais uma mulher foi assassinada. Dessa vez, a vítima trata-se de uma ex-dançarina da banda Forró, que foi morta na frente do seu namorado.

Segundo a Polícia Militar, o crime aconteceu na madrugada desta segunda-feira, 06, na rua Manoel Jerônimo, no Centro da cidade, quando a vítima, identificada como Janaina Oliveira de 27 anos, mãe de uma menina de seis anos, transitava com seu namorado e foi abordada por dois indivíduos em uma moto Honda Brós de cor vermelha, que ordenaram que o rapaz se afastasse e efetuaram quatro disparos na vítima, que teve morte imediata. ”

Fonte: Repórter Ceará


Embora estudos de 2019 tenham apontado uma queda na taxa de homicídios, houve um aumento assustador no número de femicídios e o cotidiano nos mostra que os casos aumentam entre as mulheres pobres, junto a outros fatores de insegurança e vulnerabilidade. 

Analisando os recortes acima, vemos um perfil comum de mulheres jovens, mães, de classe social média baixa e que viviam em outros relacionamentos que não com os pais de seus filhos, fatos que por si só, para uma sociedade engessada em preconceitos e alicerçada no patriarcado, tornam justificáveis tais crimes.

A quantidade de crimes contra mulheres ocorridos em um curto espaço de tempo nessas cidades interioranas que são conhecidas como pacatas é assustador. Contudo mais assustador, é ver como esses crimes são tratados como algo banal, como as pessoas utilizam a velha frase “elas acharam o que procuraram” e mais uma vez colocam as mulheres que foram assassinadas, como principais responsáveis por suas mortes.

Até quando seremos assassinadas e julgadas como responsáveis por esses crimes?. Enquanto toda essa estrutura social não for modificada completamente, os assassinos estarão sempre livres e se sentido legitimados a cometer tais crimes.

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Fonte blog A Verdade

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