TCU investigará governo Bolsonaro por interferência nas provas do Enem

TCU investigará governo Bolsonaro por interferência nas provas do Enem
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O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou um pedido de
parlamentares da oposição para investigar as interferências do governo
Bolsonaro nas provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Por determinação
do presidente, estaria havendo mudança no conteúdo dos exames como a troca do
termo “ditadura militar” por “regime militar”, e “golpe de 1964” por “revolução
de 1964”.

Os parlamentares pedem para o TCU que investigue todos
gestores, sobretudo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Danilo Dupas, que pode ter cometido improbidade
administrativa.

De acordo com eles, o Inep é a autarquia responsável pela
realização do Enem e passa por um desmonte com o pedido de demissão de 37
servidores que afirmam estar sofrendo pressão psicológica na formulação das
provas de 2021, além de mencionarem episódios de assédio moral e fragilidade
técnica e administrativa da atual gestão máxima do órgão.

No pedido, os deputados relataram que funcionários denunciaram
no programa Fantástico, da Rede Globo, tentativas de interferência no conteúdo
da prova para evitar questões que desagradem o governo. Também citam a
afirmação de Bolsonaro segundo qual questões do Enem “começam agora a ter a
cara do governo”. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, havia alegado que
queria ter acesso antecipado às questões para evitar o que chamou de “cunho
ideológico.”

O líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Renildo Calheiros
(PE), considerou chocante o relato dos servidores. “Segundo eles, para
fiscalizar o conteúdo do Enem, o governo Bolsonaro usa artifícios como
antecipar a impressão das provas, que passam por mais pessoas. Pessoal não
qualificado também teria tido acesso ao local de preparo das provas. Funcionários
do Inep denunciaram que pelo menos 24 ‘questões sensíveis’ foram retiradas da
prova. Destas, 13 teriam sido reinseridas porque geraram desequilíbrio no grau
de dificuldade do exame”, relatou o deputado.

“ESCÂNDALO!!! Bolsonaro exigiu que servidores trocassem o
termo ‘Golpe de 1964’ por “revolução” em questão do Enem. Essa
tentativa ilegal de reescrever a história não cola. Nosso povo tem ódio da ditadura
e aprendeu a valorizar a democracia. Ditadura nunca mais! #ForaBolsonaro”,
escreveu o vice-líder da legenda Orlando Silva (SP).

O líder da Minoria, Marcelo Freixo (PSB-RJ), diz que o
objetivo da ação é investigar Danilo Dupas e garantir a segurança da realização
do Enem. “Queremos proteger o exame educacional mais importante do país dos
ataques do governo Bolsonaro”, disse.

“Bolsonaro pediu que Enem trocasse ‘Golpe de 1964’ por ‘revolução’
em questões. De fato, essa é a ‘cara do governo’: NEGACIONISTA. Mas não
adianta! Nós, professores, temos um compromisso com a história, e não
deixaremos que ela seja apagada. Ditadura nunca mais!”, postou no Twitter o
líder da Oposição, Alessandro Molon.

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