Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Software criado no AM apoia ecossistema de inovação em processos de propriedade intelectual

Software criado no AM apoia ecossistema de inovação em processos de propriedade intelectual

Foto: Divulgação

O Sistema de Identificação e Proteção de Propriedade Intelectual (SIPPI), desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), nasceu para atender a uma demanda concreta de pesquisadores, empreendedores e organizações da região: compreender, de forma simples e acessível, se uma tecnologia deve ser protegida e qual modalidade de propriedade intelectual (PI) é a mais adequada em cada caso.

Criado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT/UFAM), o software venceu o Prêmio FORTEC na categoria Programa de Computador (Software), concorrendo pela região Norte do Brasil.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A premiação reconhece o potencial transformador de uma solução criada na própria Amazônia para atender desafios amazônicos, um exemplo poderoso de inovação orientada ao território. Desenvolvido a partir de uma demanda real e disponibilizado à sociedade, o software atende aos requisitos centrais da premiação ao integrar universidade, NIT e setor produtivo em um processo de inovação aplicado, com resultados práticos para o ecossistema amazônico.

Segundo Célia Regina Simonetti Barbalho, professora da PROFNIT e coordenadora da iniciativa, a criação do software foi motivada por uma demanda do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que buscava uma forma mais ágil e estruturada de orientar projetos desenvolvidos com comunidades amazônicas sobre questões de propriedade intelectual.

“Quando um projeto para atender a uma comunidade é desenvolvido, o que deve ser protegido e como? A resposta a essa pergunta gerou o SIPPI”, explica Barbalho.

Software foi criado na Ufam, em Manaus. Foto: Reprodução/Ufam

A docente destaca que o software funciona por meio de um quiz interativo que conduz o usuário passo a passo, ajudando a identificar se há necessidade de proteção intelectual e qual o tipo aplicável.

Aberto e gratuito, o SIPPI foi desenhado para atender públicos diversos, como inventores, startups, pesquisadores e comunidades tradicionais. Para Barbalho, “a solução desponta como uma importante ferramenta para auxiliar toda a sociedade, para identificar uma PI e como protegê-la”.

O funcionamento do software foi estruturado para tornar o processo claro e acessível. Ao iniciar o quiz, o usuário responde a perguntas que direcionam o diagnóstico conforme as características da criação. O sistema aborda aspectos essenciais da proteção intelectual, como patenteabilidade, originalidade e aplicabilidade industrial.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

Impactos do software

A ONG Idesam, referência em negócios de impacto na Amazônia, incorporou o SIPPI como ferramenta de orientação para empreendedores acompanhados pela instituição. Segundo Paulo Alexandre Simonetti, líder de Inovação Aberta e ESG, o software trouxe agilidade ao trabalho da equipe.

“Constantemente temos de apoiar empreendedores e startups para proteger seus respectivos conhecimentos. Nossa equipe tinha que sempre analisar e orientar. A partir do aplicativo desenvolvido pela UFAM temos como fazer essa orientação de forma mais rápida e precisa.” 

Ao integrar o sistema ao site da organização, o Idesam ampliou o acesso de usuários a informações de propriedade intelectual, superando um gargalo comum no desenvolvimento de negócios bioeconômicos.

“Poder contar com essa solução para acelerar nosso trabalho, e também poder disponibilizá-la em nosso site, fortalece o processo de inovação não somente na nossa atuação, mas de todo o ecossistema ao qual estamos conectados”. Simonetti ressalta ainda que o processo colaborativo com a UFAM gerou ao Idesam novas perspectivas de cooperação entre universidades e organizações amazônicas.

Proteção intelectual e continuidade da tecnologia da UFAM

A proteção da tecnologia contou com o suporte da Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (PROTEC), responsável pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFAM. Socorro Lima, servidora da equipe técnica da PROTEC, explica que o NIT atuou desde o registro do software até o licenciamento para o Idesam, firmado em caráter não financeiro e sem exclusividade. Elaborado pela PROTEC, o instrumento de licenciamento permitiu a ampla disponibilização da tecnologia, hoje acessível no site do grupo de pesquisa GICA, da UFAM, e no portal do Idesam.

Segundo Lima, esta foi também a primeira transferência de tecnologia não onerosa realizada pela UFAM para uma instituição sem fins lucrativos, em caráter não exclusivo, um marco na atuação da PROTEC e no histórico institucional de transferência tecnológica da universidade.

Para a profissional, o projeto exemplifica o papel da universidade na transferência de tecnologia. “A PROTEC tem interagido com empresas e contribuído no processo de difusão da cultura de inovação. Essa aproximação com a sociedade contribui para a formação qualificada de recursos humanos em áreas estratégicas, impulsionando a competitividade e o avanço tecnológico em prol do desenvolvimento regional e do país”.

Entrada da Ufam. Foto: Reprodução / Ufam

Além dos impactos práticos, Barbalho destaca que o SIPPI fortaleceu a formação dos mestrandos envolvidos e ampliou a conexão entre universidade, NIT e setor produtivo. A docente observa também que a conquista do Prêmio FORTEC evidencia a relevância dessa articulação, principalmente em um território marcado por saberes tradicionais e desafios específicos de proteção.

“[O prêmio representa] o reconhecimento de um trabalho muito alinhado com perspectiva de formação de pessoas para atuarem no âmbito da proteção dos direitos de propriedade intelectual sobretudo em uma região sui generis como a Amazônia”, conta.

Criado a partir de uma necessidade real e desenvolvido em um ambiente de formação, o SIPPI se consolida como uma ferramenta estratégica para apoiar empreendedores, pesquisadores e comunidades na tomada de decisões sobre proteção intelectual.

Ao democratizar o acesso à informação e aproximar universidade e sociedade, a solução contribui para ampliar a segurança jurídica, fortalecer a bioeconomia e impulsionar o ecossistema de inovação na Amazônia, com potencial para orientar, em escala nacional, iniciativas que buscam transformar conhecimento em desenvolvimento sustentável.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Fortec, escrito por Nayara Campos

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
Ver post do Autor

Postes Recentes