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ToggleFoto: Fernando Szegeri/Trip Adviser
Bons restaurantes regionais proporcionam uma experiência cultural para seus frequentadores. Mas alguns deles tem um vínculo com a cidade em que foram construídos que pode surpreender. O Restaurante Meu Cantinho, em Boa Vista (RR), é um exemplo.
Um dos pontos mais conhecidos da capital roraimense, localizado na área central da cidade, o restaurante funciona no mesmo espaço onde existiu a ‘Fazenda Boa Vista’, considerada o núcleo original que deu origem à capital roraimense.
O local, que hoje abriga mesas e visitantes em busca da culinária regional, já foi o centro de uma fazenda de gado que marcou o início da ocupação da região do Rio Branco.
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Assim, a história do restaurante Meu Cantinho se funde com a formação de Boa Vista. Segundo registros históricos, a Fazenda Boa Vista foi criada por volta de 1830, quando o capitão Inácio Lopes de Magalhães se instalou nas margens do rio Branco com o objetivo de desenvolver atividades pecuárias.
O espaço abrigava uma grande casa-sede, feita com técnicas construtivas coloniais, e tornou-se um dos primeiros pontos de referência para os moradores que chegaram à região em busca de novas oportunidades.
Com o passar dos anos, a fazenda passou a atrair famílias, comerciantes e religiosos. Em torno dela, formou-se um pequeno povoado, que deu origem à Freguesia de Nossa Senhora do Carmo em 1858. Esse núcleo foi o primeiro passo para o surgimento da vila de Boa Vista do Rio Branco, que mais tarde seria elevada à categoria de cidade, em 1890.
Desta forma, a antiga fazenda que originou o atual endereço do Restaurante Meu Cantinho está diretamente ligada à fundação da capital roraimense.
Das origens da fazenda ao coração de Boa Vista
Hoje, o restaurante mantém parte das características arquitetônicas do antigo casarão. O prédio é tombado como patrimônio histórico municipal desde 1993 e preserva elementos da construção original, como as paredes espessas e o pé-direito alto, típicos das edificações rurais do século XIX. A fachada foi restaurada diversas vezes, mas conserva a estrutura base que remete ao período da fazenda.
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Durante o século XIX, a Fazenda Boa Vista era um dos principais pontos de referência da região do baixo Rio Branco. Suas terras se estendiam por grandes áreas planas, aproveitadas para a criação de gado e pequenas plantações. O local funcionava também como ponto de parada para viajantes e comerciantes que circulavam entre as vilas do interior e a fronteira com a Guiana.
Com o avanço da urbanização e o crescimento do povoado, a antiga fazenda passou a ser incorporada à área central da nova cidade. O casarão, antes isolado, ficou cercado por novas construções e se transformou em um dos marcos da formação urbana de Boa Vista. Ainda assim, o local manteve sua importância histórica, servindo como símbolo da origem da capital e da permanência de seu patrimônio cultural.
De acordo com o historiador roraimense Davy Batista, o casarão representa “o elo entre o passado rural e o presente urbano de Boa Vista”.
“Essa fazendo basicamente deu origem a vida urbana de Boa Vista. Porque ao redor dela, por volta de 1858, foi se formando a freguesia Nossa Senhora do Carmo, que também deu origem a Igreja da Matriz”, destaca o historiador.
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A transformação do espaço em restaurante ocorreu décadas depois, quando o prédio já era conhecido pelos moradores como uma construção histórica. O imóvel foi adaptado para receber o público, mas parte da estrutura original foi preservada, incluindo janelas amplas, telhado de duas águas e a disposição interna dos cômodos.
Restaurante Meu Cantinho e a preservação da memória
A criação do Restaurante Meu Cantinho marcou uma nova fase para o antigo prédio. A instalação do estabelecimento uniu dois aspectos: a valorização da gastronomia regional e a conservação da memória histórica de Boa Vista. Desde sua inauguração, o restaurante atrai tanto moradores quanto turistas interessados em conhecer um pouco da culinária e da história local.
O restaurante, além de servir pratos típicos, mantém o ambiente tradicional, com móveis de madeira e decoração inspirada nas casas rurais do passado. Muitas pessoas que frequentam o restaurante não sabem que estão em um dos lugares mais antigos da cidade — um ponto que remonta aos primórdios da colonização da região.
De tempos em tempos, pesquisadores e estudantes visitam o local para conhecer de perto a estrutura da antiga fazenda. Segundo a arquiteta e pesquisadora Maria Clara Barros, que estudou o conjunto histórico do centro de Boa Vista, o prédio onde hoje funciona o Restaurante Meu Cantinho é uma das poucas construções que ainda conservam traços originais do século XIX. “O restaurante é uma peça viva da formação da cidade”, destaca Barros.
Nos anos 2000, o imóvel passou por obras de restauração, com o objetivo de reforçar sua estrutura e garantir a preservação do patrimônio. Apesar das adaptações para uso comercial, o prédio ainda mantém sua identidade histórica.
Para destacar essa existência única, uma placa foi instalada na fachada informando aos visitantes que ali funcionou a Fazenda Boa Vista e a origem da cidade.
“Preservar o local onde é o restaurante Meu Cantinho, essa ex-sede da fazenda Boa Vista, é preservar a memória do povo roraimense”, assegurou David Batista ao Portal Amazônia.
Símbolo histórico e cultural de Boa Vista
Atualmente, o Restaurante Meu Cantinho é considerado parte do patrimônio afetivo dos moradores de Boa Vista. Localizado próximo à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo e à Orla Taumanan, o espaço integra o conjunto histórico do centro da capital. Sua permanência reforça o vínculo entre o passado da cidade e a vida moderna que se desenvolveu ao seu redor.
O prédio do restaurante, que um dia abrigou a fazenda pioneira, transformou-se em um ponto de convivência em que, entre refeições e encontros diários, o local guarda as lembranças de quase dois séculos de história, marcando a passagem do tempo e a continuidade da memória da capital roraimense.
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