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Raoni “é muito forte”, diz médico do cacique

Raoni “é muito forte”, diz médico do cacique

Manaus (AM) – O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, apresentou uma melhora significativa no quadro de saúde, segundo informou a equipe médica do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no norte de Mato Grosso, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (16). Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a tarde de domingo (14), com quadro de alteração renal e infeccioso, o cacique está lúcido, conversando e respirando sem o auxílio de aparelhos. 

“Ao longo de ontem [segunda] para hoje ele teve uma melhora significativa. A função renal melhorou, todos os indicadores infecciosos e inflamatórios têm apresentado melhora. Ele está conversando, está lúcido, e tudo isso representa uma melhora bastante grande”, declarou o diretor-técnico do hospital, Douglas Yanai. O diretor também enfatizou que Raoni é “um homem muito forte” e “está consciente”. 

Em nota pública, a família do cacique e o Instituto Raoni esclareceram que ele está sendo observado de forma permanente pela equipe médica com todos os cuidados necessários para o tratamento.

“Familiares do Cacique Raoni esclarecem que, apesar de seu estado delicado de saúde, ele permanece vivo e internado na UTI do Hospital Dois Pinheiros. Todos nós, do Instituto Raoni, seguimos unidos, com esperança e respeito, desejando sua recuperação e seu retorno para casa”, diz um trecho da nota.

Esta é a terceira vez que Raoni é internado em 2026. Em 7 de maio, o cacique foi hospitalizado na mesma unidade após apresentar fortes dores na barriga devido a um quadro de hérnia crônica, recebendo alta clínica dois dias depois, no dia 9 de maio.

Cinco dias depois, no dia 14 de maio, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, recebendo alta para acompanhamento domiciliar no dia 21 do mesmo mês.

O que dizem os médicos

Coletiva do cacique Raoni, após alta ocorrida em julho de 2020, durante a pandemia, no mesmo hospital em que está internado (Foto: Mídia Indígena).

A tomografia de abdome do cacique Raoni evidenciou suboclusão gástrica, conforme boletim divulgado nesta segunda-feira (15) pelo hospital. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito. Com este quadro a intubação foi descartada, segundo os médicos.  

“Raoni chegou com vômito, mas não houve necessidade de intubação. Todos os dias conversamos com as lideranças, conversamos com ele, fazemos vídeo chamada para falar sobre o quadro dele, para compartilhar as decisões e as opções terapêuticas”, explicou a médica Anna Letícia, diretora administrativa do hospital.

A equipe médica descartou a possibilidade de cirurgia devido à gravidade, à idade e comorbidades do cacique Raoni. Entre as comorbidades apontadas pela equipe médica estão doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca e uso de marca-passo. 

No boletim médico divulgado nesta terça-feira (16), os médicos afirmaram que a realização de endoscopia digestiva alta permanece programada, porém condicionada à continuidade da estabilização do quadro clínico de Raoni, para que o procedimento possa ser realizado com segurança. 

Ainda não há previsão de alta, segundo os médicos, uma vez que o quadro é de oclusão gástrica e o tratamento deverá ser prolongado e conduzido com cautela, considerando a gravidade do quadro inicial e as condições clínicas preexistentes de Raoni.

“Temos um longo caminho [para a alta]. A gente planeja que ele se recupere, mas ainda é cedo para pensar nesse momento. Por isso o cuidado de mantê-lo na UTI, em observação, com equipe multidisciplinar, sempre discutindo todos os cuidados com a equipe dele em São Paulo para permitir a plena recuperação do cacique”, afirmou Yanai.

Em julho de 2020, o cacique foi internado no Hospital Dois Pinheiros para tratar uma hemorragia digestiva e problemas de anemia. Em agosto do mesmo ano, o cacique voltou à unidade com diagnóstico de Covid-19 e pneumonia, e recebeu alta médica nove dias depois.

Nesse período Raoni também apresentou um quadro depressivo após a morte de sua companheira, Bekwyjkà Metuktire.

Luta histórica

Raoni e Sting (Foto: Rogério Assis/ISA/26/05/2017).

O cacique Raoni Metuktire é um dos maiores líderes indígenas do Brasil e o principal representante do povo Kayapó (Mebêngôkre). Nascido nos anos 1930, teve seu primeiro contato com o mundo ocidental em 1954, quando iniciou sua luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas. 

Raoni ganhou destaque internacional nos anos 1980, como líder da campanha global “Save de Rainforest” ao lado do músico britânico Sting pela demarcação do território Kayapó. Junto com Sting, Raoni visitou 17 países de abril a junho de 1989. 

Desde 2019, voltou a viajar pelo mundo pedindo proteção à floresta e aos povos originários do Brasil. Se encontrou com o Papa Francisco, no Vaticano, participou do Festival de Cinema de Cannes, na França, e se reuniu com o presidente francês, Macron, pedindo apoio à causa indígena brasileira. 

Em agosto de 2020, o líder indígena foi indicado ao prêmio Nobel da Paz pela Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), por sua luta histórica pela preservação da Amazônia. 

Toda a sua trajetória de vida, que cruza com a história da política indigenista brasileira desde a época de Juscelino Kubitschek, está registrada no livro autobiográfico “Raoni: Memórias do Cacique”, lançado em setembro de 2025.



As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site Amazônia Real e são de total responsabilidade do autor.
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