Políticas afirmativas contribuíram para avanço do cinema negro, diz diretora de festival

Políticas afirmativas contribuíram para avanço do cinema negro, diz diretora de festival
Por Brasil de Fato

A segunda edição do Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil (Fianb) começou nesta terça-feira (16) e segue até o sábado (20).

O Festival, que é realizado pela Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), tem formato híbrido – com atividades presenciais no Centro Cultural SP e online, com acesso gratuito, via plataforma de streaming TodesPlay e pelo canal no YouTube.

Nesta edição, o Fianb conta com mostra audiovisual, laboratório de desenvolvimento de projetos e mesas de debates. O evento também visa trazer a reflexão sobre os caminhos da produção audiovisual negra no Brasil.

O Brasil de Fato Paraná conversou com Tatiana Carvalho Costa, diretora artística do Fianb, sobre a realização do Festival e os avanços e desafios do cinema negro no Brasil.

Tatiana Carvalho Costa é professora universitária na área de Cinema e doutoranda pesquisadora sobre cinemas negros. É também conselheira da região sudeste da Associação dos Profissionais do Audiovisual.

Brasil de Fato Paraná: Gostaria que você contasse sobre a organização e a história do Fianb e os desafios para colocar o evento na rua.

Tatiana Carvalho Costa: O festival é um desdobramento de um Seminário realizado pela Associação dxs Profissionais do Audiovisual Negro. A Associação tem como objetivo ampliar a presença de profissionais negros, negras, negres no audiovisual e no cinema brasileiro. A gente se entende como um movimento negro de ação política e o festival é uma das nossas ações

A proposta do Fianb é promover formação e fomento para ampliar e fortalecer a presença das pessoas negras no mercado nacional e internacional. Além disso, essas ações do festival têm objetivo de promover a descolonização do mercado e do imaginário da sociedade brasileira, que são bastante centrados na ideia de um sujeito universal e marcado por vivências brancas, sobretudo da classe média e do Sudeste. Ou a partir do Sudeste, o que acaba exotizando o resto do país.

O cinema negro tem acontecido muito pela organização independente. Como você vê a indústria cinematográfica em relação a este movimento?

Desde 2016, a gente vê um crescimento muito grande de festivais dedicados ao audiovisual negro e alguns com interseção negro/indígena no Brasil, com uma concentração grande no Nordeste. Isso é fabuloso e, de fato, são realizações que vem, por exemplo, de universidades ou organizações independentes, com algum apoio de fomento público. São sempre iniciativas maravilhosas, mas ainda insuficientes.

Ao mesmo tempo, a gente olha para este aumento de festivais e também de filmes produzidos por pessoas negras e entende que é reflexo de um processo das últimas duas décadas e notadamente das gestões de Lula e Dilma, que implementaram ações afirmativas na educação e na cultura.

Estas políticas afirmativas, sem dúvidas, criaram um horizonte de desejos para que a juventude negra pudesse se ver ali. Já impactou uma geração jovem que se vê como possibilidade. Diferente da minha geração, jovem na década de 90, que cresceu sem muita perspectiva.

Agora, infelizmente, estamos pessimistas frente ao desmonte que o atual desgoverno está empreendendo com algum sucesso. Uma coisa que esse governo é competente é para destruição e estamos vendo ainda destruição de políticas públicas que aumentaram a presença de pessoas negras em diversos setores da sociedade, e o cinema é uma delas.

Programação do Fianb

Presencial: Sala Lima Barreto – Centro Cultural São Paulo (CCSP)

17/11, às 18h Mesa 2: Para pensar o conteúdo nos streamings e a disputa narrativa.

20/11, às 19h – Mesa de encerramento

Online: Todos os dias, às 20h

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