Índice
ToggleProfessores e pesquisadores de instituições parceiras estiveram presentes no lançamento da plataforma que foca em créditos de carbono. Foto: Reprodução/Green Forest
A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e as empresas Green Forest e Amazon Connection Carbon celebraram no dia 10 de março a assinatura simbólica do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para o lançamento oficial da plataforma digital Forestia.
A ferramenta integra dados públicos de biomas e informações georreferenciadas dos últimos 10 anos, estruturando uma base territorial continuamente atualizada.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
Ao longo do processo, as empresas parceiras participaram de uma chamada de edital do CNPq, integrando o setor público/privado e a pesquisa científica produzida na Amazônia, base fundamental para a criação da plataforma. Na cerimônia, estiveram presentes pró-reitores, coordenadores de curso, investidores, pesquisadores da UFRA e de outras instituições, assim como alunos.
Com o apoio da inteligência artificial, a plataforma Forestia identifica áreas com alto potencial de restauração, transformando-as em projetos de carbono rastreáveis e de alto impacto socioambiental. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado AQUI.
Leia também: Entenda o que é e para que serve o mercado de carbono
Plataforma Forestia
A proposta da Forestia é fruto da pesquisa científica conduzida pela doutoranda da UFRA e engenheira florestal Milena Peper, que também é CEO da Green Forest e da Amazon Connection Carbon. Após um período de investigação, campo e construção metodológica, o objetivo foi transformar dados ambientais em decisões de alto valor para o mercado de carbono.
“Nesta fase inicial, a Forestia foi desenvolvida para oferecer respostas rápidas, precisas e tecnicamente qualificadas sobre a elegibilidade e a viabilidade de áreas destinadas ao desenvolvimento de projetos de créditos de carbono. A plataforma analisa se um território apresenta as condições ambientais, legais e técnicas necessárias para a implementação de projetos de restauração florestal com foco na geração de créditos de alto padrão”, explica.
Leia também: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?
Ela explica que o sistema consolida um conjunto de informações estratégicas, como tipo de solo, potencial produtivo, histórico de uso e cobertura da terra, presença de pastagens ou formações florestais, “integrando dados científicos e geoespaciais que orientam a tomada de decisão com velocidade, rigor e transparência”, destaca a pesquisadora.
Todo o processo segue os requisitos técnicos da metodologia VM0047, da Verra, a certificadora internacional mais reconhecida do mercado voluntário de carbono. Milena, que fez a graduação, mestrado e agora está finalizando o doutorado na Ufra, acredita que é importante ter a formação científica para liderar projetos como esse no mercado privado.
“É extremamente importante unir os dois setores, pois sem essa ligação e organização, a gente não consegue ter um produto assertivo que traga credibilidade, rastreabilidade e que traga para o mercado a transparência que o produto exige”, disse.
Saiba mais: Solo da Amazônia estoca mais da metade do carbono orgânico presente no Brasil
Uso de IAs locais
Segundo o professor Marcus Braga, vice-coordenador do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Amazon Connection Carbon e a UFRA, uma das principais preocupações da universidade é a sustentabilidade digital.
Pesquisador na área de Ciência da Computação e líder do Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada (NPCA/CNPq), o professor destaca que a UFRA busca se diferenciar das grandes corporações globais de tecnologia ao priorizar o desenvolvimento de IAs locais.

“Enquanto as chamadas Big Techs operam data centers que demandam um consumo excessivo de água e energia para resfriamento, as iniciativas da universidade utilizam computadores de alto desempenho instalados dentro do estado do Pará, o que torna o impacto ambiental praticamente nulo”, afirmou.
Segundo ele, essa estratégia de descentralização tecnológica é fundamental para o desenvolvimento de soluções voltadas a problemas regionais, aliando inovação, eficiência computacional e responsabilidade ecológica.
O que é o Crédito de Carbono?
O crédito de carbono pode ser entendido como uma espécie de “conta bancária” ambiental, como explica a professora Gracialda Ferreira, doutora em Botânica e coordenadora do Acordo de Cooperação Técnica entre a Green Forest e a Ufra. “O carbono está presente na atmosfera, principalmente na forma de gás carbônico (CO₂). As árvores, durante seu crescimento, absorvem esse gás do ar e armazenam o carbono em seus troncos, galhos, folhas e raízes”, diz.
Segundo ela, cerca de 50% da biomassa de uma árvore é formada por carbono. Assim, o carbono estocado em várias árvores quando somam uma tonelada de carbono, equivale a um crédito de carbono.
“Os estoques de carbono agregam valor às florestas e podem ser usados, tanto por empresas quanto por comunidades a gerirem este créditos no mercado de Carbono. Outra alternativa de geração de crédito é a partir do carbono estocado pelo processo de recuperação de áreas degradadas, durante o crescimento das árvores, fase em que a absorção de CO₂ ocorre de forma mais intensa gerando oportunidades de mercado e geração de renda”, diz.
A professora também destaca que florestas preservadas funcionam como grandes reservas de carbono. Quando essas áreas são desmatadas ou degradadas, o carbono que estava armazenado pode ser liberado novamente para a atmosfera, contribuindo para o aquecimento global e podendo intensificar os impactos das mudanças climáticas.
*Com informações da UFRA
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
Ver post do Autor



