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Passado e futuro na tragédia gaúcha

Passado e futuro na tragédia gaúcha

A legislação brasileira começou a pedir já nos anos 1930 que margens e várzeas de rios, suas áreas de inundação, não fossem desmatadas e habitadas, mas tais espaços são ocupados desde sempre, no campo e nas cidades. 

Respeitar essa regra teria evitado o novo descalabro que assistimos no Rio Grande do Sul? Certamente não, mas teria reduzido consideravelmente a muito subestimada contagem de desabrigados, feridos e mortos.

Na cidade onde morei por três décadas, São Leopoldo, 180 mil (82%) de seus 220 mil moradores foram expulsos de suas casas pelas águas. Quem não fugiu se apinha em ginásios, hospitais, escolas e casas em zonas mais elevadas, para onde acorreram também baratas, ratos e uma variedade de outros animais.

O cenário apocalíptico atinge em maior ou menor grau sete em cada dez municípios gaúchos, a capital Porto Alegre e sua Região Metropolitana, onde o aguaceiro de rios como Jacuí, Sinos e Gravataí se acumula no Lago Guaíba até escorrer lentamente à Lagoa dos Patos, duas grandes barragens naturais de onde, finalmente, encontra o Atlântico.

Na vizinhança da capital gaúcha, apenas uma universidade na cidade de Canoas lista dezenas de crianças separadas dos pais pela enxurrada histórica. Tentando resgatar o máximo de sobreviventes, socorristas amarram corpos em postes para que não sejam roubados pelas águas imundas. Relatos angustiantes.

O flagelo dos atingidos ganha cores mais graves pela falta de planejamento, de antecipação do poder público, a tragédias alertadas por desprezados cientistas, entidades civis e instituições de ensino. Isso estraga alimentos e remédios doados, permite que indivíduos comprem toda a água e comida de supermercados – deixando os demais a ver navios –, abre espaço para golpes e roubos em plena calamidade. 

A solidariedade nacional sempre cobre alguns desses furos, mas é preciso atitudes mais efetivas e alinhadas com a realidade de um mundo afetado pela crise climática. Quem ainda duvida? A realidade exposta no Rio Grande do Sul ultrapassou há muito o discurso de mais uma “chuva forte”. Em setembro passado, o Vale do Rio Taquari já tinha sido devastado por águas diluvianas.

Realista, a Prefeitura de Barra do Rio Azul, na região do Alto Rio Uruguai e duramente afetada pelas cheias atuais, avalia mudar a cidade para um ponto mais alto. Também não dá mais para tolerar a política que mata pessoas com negacionismo, incompetência e visão de curto prazo. Acentuado desde 2019, o desmonte do código florestal gaúcho exporá ainda mais pessoas às enchentes.

Até as eleições municipais de outubro, as águas que hoje cobrem grande parte do Rio Grande do Sul terão baixado, mas a tragédia não pode ser esquecida diante da oportunidade de começar a eleger novos governantes, atentos ao fato de que um futuro menos dramático para todos será construído com melhores ações, desde já. 

Os gaúchos lembrarão disso em frente às urnas?

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))eco. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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