Os números de visitação a parques nacionais brasileiros são consolidados e publicados pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) geralmente do segundo trimestre do ano seguinte ao do fechamento em uma ferramenta que permite filtros e análises históricas. Até que os dados consolidados de 2025 sejam divulgados, o ano de 2026 começou com informações importantes para visitantes de parques nacionais no Brasil e no exterior.
A concessionária do Parque Nacional do Iguaçu informou que em 2025 a visitação no segundo mais antigo parque nacional brasileiro atingiu um novo recorde: 2,058 milhões de visitas, um aumento de 8,7% em comparação ao ano anterior.
Também no Parque Nacional do Iguaçu em 2025, o número de nacionalidades representadas foi recorde, 207, assim como o número de visitantes brasileiros: 1,132 milhões de visitas (1,1% a mais que em 2024). Isso significa que a procura de visitantes estrangeiros pelo Parque Nacional do Iguaçu aumentou 19,7% em 2025.
O Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí, cujos serviços de uso público são geridos diretamente pelo ICMBio, também divulgou que em 2025 a visitação foi recorde: foram mais de 49 mil visitas, um aumento de 24,2% em relação a 2024.
Esse aumento ocorreu mesmo com a suspensão dos vôos comerciais regulares para São Raimundo Nonato, o que indica a consolidação do parque como um destino turístico de natureza e patrimônio arqueológico no bioma Caatinga.
A visitação a parques nacionais brasileiros vem quebrando recordes anualmente, com aumento médio de 6,6% ao ano nos últimos 10 anos, atingindo 12,5 milhões de visitas em 2024. O potencial ainda é muito grande. Conforme estimado pelo Instituto Semeia, o total de visitação a parques naturais (nacionais e estaduais), que em 2024 foi de 15,9 milhões, pode chegar de forma sustentável a 56 milhões.
A procura crescente por atrativos naturais não é restrita ao Brasil. Os EUA também têm batido recordes seguidos de visitação a parques nacionais. O aumento médio foi de 2,5% ao ano entre 2014 e 2024, atingindo 94,3 milhões de visitas em 2024, conforme reportado pelo National Park Service.

O National Travel and Tourism Office realizou indicou que cerca de 14 milhões, quase 15% do total, de visitas a parques nacionais dos EUA foram realizadas por turistas internacionais, dos quais 876 mil são brasileiros.
Os parques nacionais canadenses reportaram um aumento de 13% na visitação no último verão, atingindo 14,5 milhões de visitas entre 20 de junho e 02 de setembro. O aumento foi atribuído ao fomento de visitas internas, incluindo parques nacionais e museus, com o Canada Strong Pass.
No Brasil, conforme estudo realizado também pelo Instituto Semeia, as principais barreiras para visitação são custo, distância e falta de informações. 42% de quem nunca visitou um parque natural aponta o custo de deslocamento e 20% indicam distância a partir de sua casa como barreira para visitação.
Atualmente, pelo menos 35 dos 75 parques nacionais têm acesso gratuito e auto-guiado, ou seja, podem ser visitados de forma gratuita. Além disso, o Brasil tem 16 parques nacionais em sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO, o que tende a atrair turistas brasileiros e estrangeiros.

Sete parques nacionais têm os serviços de uso público concessionados ao setor privado de forma ativa. Outros dois – Chapada dos Guimarães e Jericoacoara – foram concessionados, mas a implementação ainda não ocorreu de forma total.
As concessões têm sido percebidas pelos gestores de parques como positivas para a atração de visitantes. Um estudo recente do Instituto Semeia apontou que 77% dos gestores de Unidades de Conservação com serviços de uso público concessionados estão satisfeitos com as ações para atrair novos visitantes.


Três fatores podem aumentar a visitação a parques nacionais brasileiros em 2026: o reforço no número de servidores ambientais; as mudanças nos valores cobrados a visitantes estrangeiros para acesso a parques nacionais nos EUA; e a implementação de Taxas de Preservação Ambiental em diversas cidades turísticas e litorâneas brasileiras.
Em 2025 foram realizadas ações de recomposição de servidores ambientais. Em 2025 foram nomeados mais de 1.000 servidores do ICMBio e IBAMA, reforçando a capacidade de atuação em gestão de Unidades de Conservação como Parques Nacionais, além da fiscalização ambiental dentro e fora das Unidades de Conservação Federais. Ainda há um déficit em cargos ocupados, mas em 2026 devemos observar resultados positivos das novas contratações.

Voltando aos EUA, o Serviço Nacional de Parques do país norte-americano (National Park Service) indicou um aumento no valor cobrado a não residentes. O ingresso a alguns parques nacionais para estrangeiros pode chegar a US$ 135 (cerca de R$ 730) por parque, um aumento de US$ 100 (cerca de R$ 540) por parque visitado em comparação aos valores de 2024.
A sobretaxa foi aplicada a não residentes dos EUA nos 11 parques nacionais com maior procura de visitantes estrangeiros: Acadia National Park (Maine), Bryce Canyon National Park (Utah), Everglades National Park (Florida), Glacier National Park (Montana), Grand Canyon National Park (Arizona), Grand Teton National Park (Wyoming), Rocky Mountain National Park (Colorado), Sequoia & Kings Canyon National Parks (California), Yellowstone National Park (Wyoming, Montana, Idaho) e Yosemite National Park (California).
O passe anual “America the Beautiful” cujo valor era de US$ 80 (cerca de R$ 430) independente da nacionalidade em 2024, aumentou para US$ 250 (cerca de R$ 1.350) para não residentes. Esse passe permite a entrada ilimitada não somente a parques nacionais, mas a outras áreas protegidas.
O aumento do custo pode levar a uma redução na procura de turistas internacionais aos parques nacionais dos EUA – reforçando a tendência iniciada em 2025 – e que podem ser atraídos para visitar parques nacionais no Brasil, em linha com o recorde de turistas estrangeiros recebidos pelo nosso país em 2025. Segundo a EMBRATUR, o Brasil recebeu 9 milhões de visitantes estrangeiros no ano passado, 40% a mais que em 2024.
Por último, o aumento da cobrança de taxas de visitantes por diversos municípios que recebem grandes contingentes de turistas pode aumentar a procura por parques nacionais. A exemplo do que já é feito ao visitar o arquipélago de Fernando de Noronha (vide tabela acima), alguns municípios passaram a cobrar Taxas de Preservação Ambiental e outros planejam implementá-las em 2026.
É o caso de cidades do litoral paulista como Ubatuba e Ilhabela, Bombinhas no litoral catarinense e Morro de São Paulo na Bahia. Outras cidades que recebem grandes volumes de turistas como Campos do Jordão, São Sebastião e Aparecida, todas no estado de São Paulo, estudam implementar taxas para visitantes. Taxas que variam de R$ 13,73 por veículo por dia até R$ 70,00 por visitante.
À medida que o acesso às cidades passa a ter uma taxa por visitante ou veículo, a visitação a parques nacionais pode ter um aumento na demanda. Para além do custo em si, a necessidade de encontrar informações caso a caso pode dificultar a visita a esses destinos turísticos ao mesmo tempo que os parques nacionais (concessionados ou não) têm aumentado o volume, a clareza e a qualidade de informações.
Diversas publicações gratuitas e de fácil acesso estão disponíveis para facilitar e atrair visitantes aos parques nacionais brasileiros, como “Travessias, uma aventura pelos parques nacionais do Brasil” com textos, fotos e coordenação da Duda Menegassi de o ((o))eco com apoio do ICMBio e da Fundação Grupo Boticário, o guia “11 Parques do Brasil que você precisa conhecer” do Instituto Semeia, o “Roteiro da Grande Mata Ancestral” elaborado pelo Instituto Entreparques com apoio do WWF-Brasil e do ICMBio e a plataforma “Parques Naturais” elaborada pela EMBRATUR junto do Instituto Semeia.
No entanto, há cidades que dão acesso a parques nacionais como Jijoca de Jericoacoara (Parque Nacional de Jericoacoara), Santo Amaro do Maranhão (Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses), Alto Paraíso de Goiás (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros) e o distrito de Caraíva, em Porto Seguro (Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal) que passaram a cobrar acesso a visitantes, o que pode aumentar a percepção de custo e criar barreiras de visitação aos parques nacionais.
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