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Mundo precisa investir US$ 1,7 trilhão por ano para aumentar renováveis até 2030

Mundo precisa investir US$ 1,7 trilhão por ano para aumentar renováveis até 2030

Os países precisam mais do que dobrar a capacidade instalada de energia renovável para atingir, até 2030, a meta energética estabelecida internacionalmente, mostra o mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), publicado na última semana.  Para isso, seria necessário injetar quase três vezes mais de recursos em energias renováveis do que hoje é investido.

O relatório, produzido em parceria com a Presidência da COP31 (Turquia) e com a Aliança Global de Energias Renováveis, é a terceira avaliação anual do progresso em direção às metas energéticas estabelecidas pelo Consenso dos Emirados Árabes Unidos, na COP28, em 2023. 

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A meta é chegar a 11,2 terawatts (TW) de capacidade instalada de energia renovável em 2030, tendo 2022 como ano-base. Em 2025, houve um adicional recorde de 693 gigawatts (GW), mas a capacidade total subiu somente para 5,15 TW. Para alcançar o valor estipulado, a taxa de crescimento anual precisa ser, em média, de 1,2 TW por ano.

“Foram alcançados avanços com mais energias renováveis instaladas em 2025 do que em qualquer outro ano. No entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer para instalar, até 2030, mais capacidade do que em todos os anos anteriores somados”, comenta Ben Backwell, presidente da Global Renewables Alliance.

A eficiência energética – que significa realizar os mesmos serviços consumindo menos energia – tinha como meta uma melhoria de 4% ao ano. Agora, segundo a Irena, a taxa precisa chegar a 5,6% ao ano entre 2026 e 2030 para compensar os baixos resultados registrados até o momento.

Atualmente, 67% das 120 NDCs (metas climáticas dos países) apresentadas até 9 de junho indicaram uma meta quantificada para energia renovável. No entanto, apenas 43% têm uma meta quantificada para melhorar a eficiência energética.

Sem verba

O financiamento é um dos obstáculos apontados pelo relatório da Irena. O investimento global em capacidade de energia renovável foi de US$ 625 bilhões em 2025, valor um pouco menor que os US$ 641 bilhões investidos em 2024. Para atingir a meta de capacidade de energia renovável, serão necessários US$ 8,6 trilhões adicionais entre 2026 e 2030, uma média de US$ 1,7 trilhão por ano.

Os investimentos em eficiência energética e conservação de energia precisarão ser quase nove vezes superiores aos US$ 369 bilhões gastos em 2025. Agora, é necessária uma média anual de US$ 3,2 trilhões nos setores de edificações, transportes e indústria entre 2026 e 2030 para alcançar a meta de dobrar a eficiência energética.

Das 120 NDCs analisadas, 93 (77,5%) indicam que o alcance das metas é total ou parcialmente condicional a apoio internacional. Segundo o relatório, ampliar o financiamento internacional, a assistência técnica e a transferência de tecnologia será fundamental para cumprir as metas estabelecidas pelas economias em desenvolvimento e poderá permitir que elas elevem a ambição futuramente.

Sem tempo

A lentidão preocupa porque o planeta se aproxima de um período de overshoot, quando o aquecimento global vai ultrapassar 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais (1850-1900). Segundo um relatório publicado no início de setembro pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a ultrapassagem de 1,5 °C é agora considerada inevitável nas trajetórias atuais. Quanto maior o pico de aquecimento e mais longo o período acima de 1,5 °C, maiores serão os riscos para as pessoas e os ecossistemas.

O Pnuma aponta que, para voltar a 1,5 °C ou menos depois da ultrapassagem, será necessário chegar a emissões líquidas negativas de gases de efeito estufa. Isso significa retirar da atmosfera mais gases de efeito estufa do que são lançados, em um processo que dependerá de cortes rápidos e sustentados nas emissões e, posteriormente, de remoção de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. A remoção de CO₂, porém, não substitui a necessidade de reduzir as emissões imediatamente agora.

O setor de energia responde por quase três quartos das emissões globais devido ao uso de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. Assim, quanto mais lentamente a economia reduzir o uso desses combustíveis e as emissões, maior será o desafio de limitar o aquecimento, reduzir a duração e a intensidade do overshoot e, posteriormente, retornar a 1,5 °C.

Francesco La Camera, diretor-geral da Irena, chama a atenção para a meta global de aquecimento. “Precisamos avaliar com realismo nossa ambição em relação à meta de 1,5 °C. O roteiro revisado pela Irena deixa claro: precisamos avançar mais rapidamente e construir os sistemas necessários para apoiar essa transição. Isso significa ampliar e modernizar rapidamente a geração de energia renovável, as redes de distribuição, o armazenamento e a flexibilidade”, diz. Já 

O relatório da Irena também mostra que 75% das submissões de NDC incluem o compromisso de reduzir a participação de combustíveis fósseis na matriz elétrica, mas apenas 23% contêm o compromisso de interromper a implementação de novas usinas a carvão ou de reduzir gradualmente a geração de energia a carvão sem tecnologias de abatimento de emissões.

“Precisamos avançar mais e mais rapidamente para eliminar os gargalos que atrasam a transição, direcionar investimentos para os países em desenvolvimento e acabar de uma vez por todas com nossa dependência dos combustíveis fósseis”, diz António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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