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ToggleNa última semana, o governo brasileiro divulgou um número histórico que interessa não só ao próprio país, mas a todo o planeta: em 2026, a Amazônia registrou 3.335 km² de desmatamento, a menor taxa em quase quarenta anos de medições. Porque quase metade de todo o carbono que o país lança na atmosfera vem da destruição de florestas, a queda beneficia todo o mundo, açoitado pelos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas. O número, no entanto, pode deixar de existir, caso Flávio Bolsonaro chegue ao poder.
Há 38 anos o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) produz os dados oficiais do desmatamento por meio de dois programas principais. O primeiro deles é o Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite), que gera a taxa anual de desmatamento e é, desde 1988, o responsável por orientar as políticas públicas relacionadas à proteção da Amazônia. Em 2004 veio o reforço do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que gera alertas diários e é ferramenta de apoio às ações de fiscalização da destruição da floresta.
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É por meio desses dois programas irmãos que o governo brasileiro tem baseado suas ações de controle e combate ao desmatamento não só na Amazônia, mas também do Cerrado, a partir do final da década passada, e de todos os outros biomas nos últimos anos. Os resultados alcançados com as políticas orientadas pelos números do INPE, principalmente os de 2026 que acabaram de ser publicados, colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, ao aliar ciência e vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, os dados do INPE não têm ajudado apenas o Brasil. O Instituto publica, em média, um resultado científico por dia em áreas como astrofísica, engenharia espacial e, claro, sensoriamento remoto, o que inclui trabalhos sobre o desmatamento na Amazônia. Essa produção científica é metade produzida com parceiros internacionais importantes, como o francês CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), o alemão Max Planck e a agência americana NASA. A reputação dos dados gerados pelo Instituto é reconhecida dentro e fora do país.
Mas toda essa importância e prestígio não foram suficientes para impedir ataques sistemáticos durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022).
Incomodado com a divulgação sobre a explosão do desmatamento e queimadas durante seu governo – 60% de aumento do desmatamento, na média, em relação aos quatro anos anteriores a sua gestão –, Bolsonaro, o pai, promoveu uma campanha de desmoralização do instituto e implementou cortes tão profundos que colocaram em risco sua própria operação.
A lista de ataques é longa (e não se resume a): durante os quatro anos em que o político do PL esteve na cadeira de Presidente da República, o próprio Jair ou membros de seu governo disseram, sem nenhuma comprovação, que os dados do INPE eram “ruins” e que havia um “inimigo” dentro do órgão divulgando informações erradas para prejudicar o governo; acusaram o então presidente do Instituto, Ricardo Galvão, de “estar a serviço de alguma ONG” e o exoneraram posteriormente; criaram uma câmara consultiva para “reclassificar” o que é desmatamento; tentaram comprar outro sistema para monitorar o desmatamento na Amazônia, tiraram do INPE a função da divulgação dos dados e passaram para o obscuro Conselho da Amazônia e promoveram, à revelia dos servidores, uma reestruturação interna que até hoje é sentida.

Um dos golpes mais duros, no entanto, talvez tenha sido o corte profundo nos recursos. O orçamento do INPE, que já vinha caindo ao longo dos anos, despencou na gestão Bolsonaro. Em 2021, o orçamento total foi de R$ 79,1 milhões, menos da metade destinada uma década antes, em 2010, quando o INPE recebeu R$ 203,8 milhões. Em outubro daquele ano, o Instituto correu o risco de ficar sem recursos para pagar até a conta de água e luz.
Cármen Lúcia, ministra do hoje combalido STF, batizou o processo no qual o INPE foi uma das vítimas de “cupinização”, quando a morte é operada por dentro. No caso do Instituto, coitado, o ataque veio de ambos os lados, de dentro e de fora.
Corta para o momento atual. Após quatro anos de respiro e moderada recomposição no governo Lula 3, o fantasma do bolsonarismo volta a assombrar o INPE. Daqui a poucos dias, Bolsonaro, o filho, poderá ser escolhido como ocupante da cadeira que um dia foi de seu pai, com consequências nefastas para todas as estruturas ligadas à gestão ambiental no Brasil, incluindo o INPE. O bolsonarismo não tem interesse na preservação da vida, seja ela humana ou não.
Não bastasse o histórico de ataques ao meio ambiente enquanto senador – como a tentativa de legalizar o desmatamento no Brasil – Flávio Bolsonaro já deixou claro que pretende seguir à risca a cartilha ecocida de seu pai. Em seu plano de governo há 22 menções diretas – nominais – ao pai, onde figuram expressamente as palavras “Jair Bolsonaro” ou “governo Bolsonaro”. Além disso, há ao menos dez menções indiretas, em trechos no quais o texto traz referência à gestão de 2019-2022 em primeira pessoa – “nosso governo”, “nós”, “já fizemos no passado” – ou citando marcos específicos sem utilizar o nome do ex-presidente.
Flávio Bolsonaro é um negacionista do clima e da democracia. Se eleito, a Amazônia estará em risco, assim como o Instituto que há 40 anos é, com seus satélites, os olhos da sociedade para a floresta tropical. Não podemos deixar que isso aconteça.
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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