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Da África para América do sul: cientistas registram voo recordista de borboletas

Da África para América do sul: cientistas registram voo recordista de borboletas

Quão longe um inseto pode ir? Um bando de borboletas acabou de mostrar aos cientistas que seu potencial de dispersão é muito maior do que se pensava. Com ajuda dos ventos, os insetos encararam uma jornada transoceânica de mais de 4.200 quilômetros entre a África Ocidental e a Guiana Francesa, na América do Sul, com duração estimada de 5 a 8 dias sem descanso. A distância é uma das maiores já documentadas para insetos. E a viagem total pode ter sido ainda maior, apontam os pesquisadores, já que a origem provável das borboletas seria a Europa, numa expedição que ultrapassaria os 7 mil quilômetros. 

A jornada – dos cientistas – também foi longa. Com início na manhã do dia 28 de outubro de 2013, quando observaram um grupo de borboletas migratórias conhecidas como bela-dama (Vanessa cardui) numa praia da Guiana Francesa. A presença dos insetos no país sul-americano chamou atenção, já que a espécie não possui nenhuma população consolidada registrada na América do Sul. Ao mesmo tempo, as asas surradas e danificadas, assim como o comportamento de repouso observado pelos pesquisadores na praia, sugeriam que as borboletas acabavam de chegar de uma longa viagem.

Os cientistas decidiram então capturar três dos dez indivíduos encontrados para estudá-los melhor.

Acompanhar as jornadas migratórias de insetos é um desafio pela dificuldade e falta de métodos confiáveis para rastrear movimentos de longa distância de organismos tão pequenos e com ciclos de vida curtos.

Para reconstituir a viagem das borboletas, os pesquisadores precisaram combinar diferentes métodos: a reconstrução das correntes de vento, a genética, o pólen carregado por elas e uma análise de isótopos. 

O primeiro ponto observado foi o vento, um elemento fundamental no voo transoceânico dos insetos. Através dos dados do Laboratório de Recursos Aéreos da NOAA, os cientistas calcularam como estava o vento de hora em hora, em diferentes altitudes de voo, em rotas desde a praia da Guiana, antes e depois da captura no dia 28 de outubro.

Esse levantamento mostrou que, somente nas 48 horas imediatamente anteriores à data de captura, as trajetórias foram consistentes em diferentes altitudes e “excepcionalmente favoráveis ​​para as borboletas se dispersarem através do Atlântico a partir da África Ocidental, auxiliadas pelos ventos”, explicam os cientistas em artigo publicado no periódico Nature Communications no final de junho, com acesso aberto.

O segundo elemento analisado foi a genética. Os cientistas compararam o genoma das borboletas capturadas na Guiana Francesa e compararam com o de outras 126 belas-damas oriundas da América do Norte, da Europa e da África. Essa análise revelou que as “imigrantes” sul-americanas possuíam claramente a ancestralidade das borboletas euro-africanas.

Os pesquisadores também olharam para o DNA dos grãos de pólens encontrados nas borboletas capturadas para resgatar a informação sobre a sua origem. Através desse método, eles conseguiram identificar espécies de plantas restritas à costa leste africana, como os arbustos, Guiera senegalensis, endêmico da região do Sahel, que marca a transição dos desertos para as zonas mais úmidas; e o Ziziphus spina-christi, que ocorre na região subsaariana. Ambos florescem entre agosto e novembro, o que confere com a reconstituição feita pelos cientistas sobre o voo transoceânico. 

A energia necessária para as belas-damas atravessarem o Oceano Atlântico, num voo de mais de 4.200 quilômetros sem pausas para reabastecer, também intrigou os cientistas. Mesmo com os ventos favoráveis, a pesquisa sugere que os insetos tenham utilizado técnicas de economia de energia, como o voo passivo, uma estratégia usada pelas borboletas-monarcas. Dessa forma, elas só batem asas para deslizar na corrente e permanecer no ar, o que permite a economia de energia. 

Com menos de uma grama, a viagem hercúlea enfrentada pelas belas-damas dá pistas sobre a real capacidade de dispersão dos insetos – o que ajuda a explicar a ampla distribuição de algumas espécies, mesmo em ilhas distantes.

“Os modelos mostram que a travessia transatlântica só foi possível com a ajuda de ventos contínuos do leste e com uma fração importante de voo com esforço mínimo. Estimamos que a viagem foi concluída em 5 a 8 dias. Dadas as restrições energéticas, estimamos que apenas as borboletas mais aptas, com elevadas quantidades de gordura armazenada, e sob condições de vento favoráveis, teriam sido capazes de completar a viagem transatlântica, sem a possibilidade de parar e alimentar-se. Com reservas de energia mais baixas, provavelmente teriam morrido no mar”, explicam os autores em trecho do artigo.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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