CooperPalmas planta 2.600 espécies do Cerrado em reserva coletiva

CooperPalmas planta 2.600 espécies do Cerrado em reserva coletiva
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Cristina Ávila é jornalista e trabalha na mídia alternativa

Aceitei com enorme satisfação, o convite do jornal Brasil Popular para assumir uma coluna que fale sobre meio ambiente e suas conexões com as lutas e conquistas das comunidades tradicionais e das atividades da agricultura familiar.

Estes assuntos, que naturalmente se relacionam à segurança alimentar, qualidade de vida, clima e lutas populares, são pautas de meu cotidiano, como profissional e ativista ambientalista.

Escreverei “eventual-e-quinzenalmente” esta coluna multimídia, cujo título se dá pelo ímpeto; nem sempre há tempo de entender a pauta antes de pegar equipamentos e partir para lugares e florestas deste grandioso Brasil. Vamos fazer viagens [email protected]? Conto com vocês.

No Distrito Federal, suscetível a instabilidades provocadas por ameaças de projetos megaimobiliários urbanos idealizados pelo Governo do Distrito Federal, o Lago Oeste resiste e se torna a cada dia mais um exemplo de iniciativas rurais que oferecem qualidade de vida não apenas para seus moradores, mas pra toda Brasília. Com sua tradicional e cruel política habitacional que exclui pessoas e prefere privilegiar empreendimentos milionários, o GDF torce o nariz para o que é hoje provavelmente sua mais charmosa e crescente área rural. Desta vez é a CooperPalmas, na rua 19 desta região à margem da DF 001 e do Parque Nacional de Brasília, em Sobradinho II, que se mobiliza e dá show de ambientalismo.

No início de deste mês, os moradores da Cooperativa Agroambiental Palmas do Lago Oeste fizeram seu quarto mutirão em cerca de dois anos completando aproximadamente 2.600 mudas nativas plantadas na área destinada à sua reserva legal de 24 hectares, obedecendo assim seu percentual nas regras exigidas pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR) para todos os imóveis rurais do país. A iniciativa é maravilhosa para os próprios moradores e essencial para a região de importantes aquíferos de abastecimento de água para a população de Brasília.

A CooperPalmas é originária do antigo Condomínio dos Jornalistas, mas há pouco mais de dois anos se transformou em cooperativa agroambiental, optando pela recuperação do Cerrado e pelo plantio de alimentos orgânicos e produtos caseiros. Assim, já está presente com cinco bancas na feira dos orgânicos no galpão da Associação de Produtores do Lago Oeste (Asproeste), que está recém começando (ou recomeçando).

A CooperPalmas provalvelmente está recuperando a maior reserva legal contínua do Lago Oeste. Considerada patinho feio por estar em meio a 1.300 chácaras com 2 hectares cada uma, há 30 anos foi criada por jornalistas como alternativa de moradia, em lotes de 3 mil metros cada. Para se adaptar, pleiteia atender à legislação ambiental transformada em uma cooperativa que administra uma gleba única de 136,4 hectares onde cada cooperado tem direito a cotas. É longa a trajetória na tradicional política habitacional e agrária de Brasília. Onde a grilagem tem nome, endereço, telefone e até CPI na Câmara Distrital, os cidadãos e cidadãs da cooperativa já foram denunciados como quadrilha (assim mesmo) à Polícia Federal quando fizeram a reintegração de posse de um lote por ordem do Tribunal de Justiça, com oficial, polícia e tudo. O imbróglio se deve a equívocos de um ou dois servidores públicos. Mas essa é outra história.

Os moradores da CooperPalmas são amantes da natureza e acreditando na Justiça e no Poder Público. E foram buscar em Alto Paraíso (GO) a experiência de um ex-garimpeiro e um engenheiro florestal do ICMBio que estão trabalhando para a recuperação de áreas do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, que ampliado em 2017 foi em seguida barbaramente incendiado em 30% de sua área. É a muvuca, técnica que mistura diversas sementes nativas semeadas diretamente no solo, que começou a ser experimentada por índios do Xingu (PA e MT).

Assista em seguida os relatos sobre a reserva legal:

LAERT TEIXEIRA, presidente da CooperPalmas explica o que está sendo feito.

NATAL DE SOUZA TEIXEIRA, do Viveiro Flora do Cerrado, fala sobre plantio de nativas e geração de renda.

ROSE RAMALHO, diretora administrativa da CooperPalmas conta como articula pessoas.

FERNÃO LOPES, coordenador agroambiental da CooperPalmas, fala sobre muvuca e fisionomias do Cerrado

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