Combate à Violência. Mulheres anunciam resistência: “cansamos de chorar!”

Combate à Violência. Mulheres anunciam resistência: “cansamos de chorar!”
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Segundo as ativistas feministas, cinco mulheres são agredidas diariamente em Parintins (AM), segundo registros das ocorrências da Delegacia Especializada (Foto de Floriano Lins)

Com o tema RESISTIR! LUTAR! CANSAMOS DE CHORAR! (Chamamento às mulheres parintinenses à resistência e à luta por vida digna.), movimentos populares e ativistas feministas de Parintins (AM) anunciam a programação do Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres, no dia 25 de novembro. A definição do ato é do coletivo formado por vários movimentos sociais reunidos no feriado da república para organizar a programação da próxima sexta-feira.

As organizadoras da programação indicam que “diariamente mulheres sofrem violências de todos os tipos. Algumas dessas violências passam desapercebidas e até silenciadas por um grande número de mulheres que se recolhem e apenas choram”.

Elas apontam “dados da Delegacia Especializada em Crimes contra as Mulheres”, em que “cinco mulheres são agredidas em Parintins, diariamente. Os dados correspondem apenas às mulheres que registram ocorrência. Escapa ao controle outras tantas vítimas que silenciam por medo, vergonha ou por dependerem afetiva ou financeiramente dos agressores. Por ano, chega-se a quase 2.000 mulheres violentadas em Parintins. A qualquer momento pode ser nossas filhas, nossas netas, nossas irmãs, nossas mães…”

O objetivo da movimentação programada é sensibilizar a comunidade parintinense ao combate de práticas machistas/patriarcais manifestadas em várias formas de violências contra as mulheres.  Provocar as mulheres a romper o medo, o silêncio, buscar a organização e lutar por: Casa Abrigo, Casa de Partos, Cursos Profissionalizantes, Cumprimento da Legislação do Trabalho Doméstico, Direito à Acompanhante durante o Parto, Centros de Saúde Exclusivos para Mulheres, Divisão Igualitária nos Trabalhos Domésticos, humanização dos serviços oferecidos às internas do presídio público e outros direitos também silenciados e reascender as mobilizações pela Lei do Feriado Municipal no dia 8 de março,  Dia Internacional de Luta das Mulheres.

Na programação prévia anunciada pelos movimentos estão atividades em desagravo às mulheres assassinadas e vítimas fatais da covid-19. A programação está prevista para a área externa da Delegacia Especializada em Crimes contra as Mulheres, Crianças, Adolescentes e Idosos, a partir das 8 horas da manhã com uma mística em torno de um canteiro onde, em 2021, foi  plantada uma muda da espécie Aroeira.

Lá acontecerá um Círculo de bênçãos e energização, seguidos de Ato de Reparação a assassinatos de mulheres cujas memórias retumbam mundo a fora clamando por Justiça e seus legados são tônicos para a luta e resistência: Irmãs Mirabal, Ir. Dorothy, Margarida Alves, Dandara de Palmares, Marielle Franco, Maria Francisca, Roseli Nunes, Dorcelina Folador… também serão feitas Homenagem a mulheres de nossa convivência que resistem na luta em defesa da Justiça Social, e troca de lembranças entre as presentes no Ato, confeccionadas por elas próprias simbolizando a participação na história.

A programação está sob a responsabilidade da Articulação Parintins Cidadã – Teia de Educação Socioambiental e Interação em Agrofloresta, Coletivo Mulheres de Fibra da Amazônia, Marcha Mundial das Mulheres, Associação de Mulheres Vitória-Régia de Parintins/Amazonas, Movimento das Marias de Parintins e Movimento da Associação Mulheres da Amazônia – MANI.

A imagem que abre este artigo é de autoria de Floriano Lins e mostra um ato dascontra a vioência contra às mulheres em Parintins.

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