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Coletivo do Amapá transforma biodiversidade em moda

Coletivo do Amapá transforma biodiversidade em moda

Material dos artistas ficaram expostos no Sebrae durante o 10º Modamazon. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

O reaproveitamento de recursos da biodiversidade da Amazônia vira matéria-prima para a moda autoral de artistas do coletivo amapaense Modamazon. Com peças que valorizam traços regionais, as produções ganham destaque no cenário nacional e mostram que a moda vai muito além do mercado financeiro de luxo.

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O projeto criado em 2018 reafirma raízes ancestrais e promove o reconhecimento da identidade amazônica por meio do vestuário. Participam estilistas, designers de acessórios e artesãos.

Em cada peça há um pouco do Amapá: sementes colhidas na mata viram colares, caroços de açaí se transformam em detalhes de roupas, e símbolos do Norte — muitas vezes alimento — passam a vestir e dar cor às criações cheias de personalidade e estilo.

O estilista Driko Peixoto, criador do coletivo, define a moda como ato de amor e representatividade. Para ele, a troca entre artistas e floresta materializa uma união que carrega mais que o potencial da economia criativa: é a moda como ferramenta de valorização cultural.

“A gente precisa cuidar para que sempre exista. Nossa moda é quase 100% artesanal, já que o Estado não é industrializado. Boa parte dos processos é manual, incorporando sementes e fibras. Trabalhamos com o que a natureza nos oferece, e disso surgem experimentos que viram produtos grandiosos, com valor agregado imensurável”, disse Peixoto.

A produção marcada pelo trabalho manual, deixa o resultado, muitas vezes mais caro, porém garante exclusividade: cada peça é única. Esse é um dos desafios dos profissionais: firmar marcas e conquistar valorização.

Leia também: Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas

Desfile da 10º Modamazon no Amapá. Foto: Divulgação/Modamazon

“Nosso produto sai 50% mais caro que o do Sul e Sudeste. Temos desafios com matéria-prima, pois não trabalhamos apenas com recursos da natureza. Precisamos de outras superfícies que muitas vezes não encontramos aqui, e isso encarece o produto”, explicou Driko.

São vestidos, colares, bolsas e sapatos com a identidade do Amapá. As cores e traços dão forma a sonhos de profissionais que começam pequenos, enfrentam dificuldades, mas conquistam espaço em passarelas nacionais, como a Brasil Eco Fashion Week, referência em moda sustentável.

“O Norte é muito rico nessa perspectiva. Desde sempre evidenciamos isso, descentralizando eixos e trazendo as nuances da região”, destacou Daniel Mendes, diretor de relacionamento do evento.

O caminho até a estruturação dos profissionais conta com apoio do Sebrae. Segundo a gestora de projetos Larissa Queiroz, o Amapá tem cerca de 3.400 profissionais da moda autoral cadastrados.

“Começamos com o básico, ajudando na formalização. Quando o profissional amadurece, buscamos mercados, como feiras e rodadas de negócios, que são ações fundamentais”, afirmou Larissa.

Do ateliê para as passarelas no Amapá

Em 2026, o Modamazon celebrou sua 10ª edição, expandindo horizontes e dando visibilidade à moda sustentável. O coletivo recebeu mais de 400 inscrições de modelos. A diversidade é um dos diferenciais: na passarela, pessoas negras, PCDs e idosos de até 75 anos.

Desfile da 10º Modamazon no Amapá. Foto: Divulgação/Modamazon

Mais que um evento de moda, o Modamazon é um movimento de resistência, inovação e pertencimento, consolidando a Amazônia como território de expressão autêntica e potência criativa.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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