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Casa da Cultura em Boa Vista mantém estrutura original da década de 40 após restauração

Casa da Cultura em Boa Vista mantém estrutura original da década de 40 após restauração

No coração do Centro de Boa Vista, um local guarda parte da história de Roraima e saiu da “quase morte” para se tornar o lar dos Imortais. Esquecida e abandonada por mais de uma década e meia, a Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller foi reinaugurada após restauração que mantém características originais do prédio – datado da década de 40. Agora, o espaço é a nova sede da Academia Roraimense de Letras (ARL).

Construído no ano de 1940, há 84 anos, pelo comerciante Milton Negreiros de Miranda, o casarão de dois pisos foi totalmente recuperado para ser reaberto à população.

A restauração aproveitou ao máximo os elementos da estrutura original, como os ladrilhos importados de Portugal no século passado. Em vermelho e branco na varanda, e em tons de azul e cinza nas salas, aqueles que não puderam ser preservados foram substituídos por réplicas idênticas.

Ladrilhos da varanda e do interior da Casa importados da região da Luzitânia, em Portugal, foram restaurados. Foto: Reprodução/Acervo g1 RR

Antes das obras, o que se via no local eram as ruínas de um prédio sem vida, espremido entre o Centro Comercial Caxambú e as lojas da Jaime Brasil. Agora, a imponência do casarão somado à beleza do jardim, que promove uma verdadeira volta no tempo ao século passado, se destacam em meio à paisagem urbana.

Tombada como patrimônio histórico de Roraima pelo pelo Governo do Estado na gestão de Ottomar de Souza Pinto, a Casa da Cultura é considerada um espaço com importância histórica no estado.

Lá, há relíquias guardadas por décadas, como cédulas de cruzeiros da década de 1940, utensílios de escritório, mobiliário e até documentos antigos.

Ainda com os últimos ajustes a serem feitos a área de mais de 400m² também contempla um elevador, áreas de exposição, banheiros e vestiários masculinos, femininos e para Pessoa com Deficiência e deve receber uma cafeteria ao lado do jardim.

Itens de escritório do século passado, preservados em memorial da Casa de Cultura. Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR

Além dos vários cômodos, dentro da casa há uma escadaria feita em madeira freijó – uma das mais valorizadas em construção, que também teve a estrutura da década de 1940 preservada.

No andar de cima o piso é de madeira, e conta com quartos e duas sacadas, uma com vista para o jardim e outra para a área comercial das Avenidas Jaime Brasil e Sebastião Diniz, uma das mais movimentadas na capital.

Adquirida pelo governo do então Território, implementado no ano de 1943, a primeira reforma da casa custou Cr$ 89 mil (cruzeiros) para receber o governador Félix Valóis, morador do local de março de 1946 a julho de 1948.

Por décadas, o prédio foi residência oficial dos governadores do Território Federal do Rio Branco, 16 deles no total.

Após a construção do Palácio Senador Hélio Campos, onde atualmente é a sede do governo, a casa passou a ser usada como sede de repartições públicas. O último governador a morar no local foi o próprio Tenente Coronel Hélio da Costa Campos, de abril de 1967 a 1969.

Casa da Cultura na década de 1940. Foto: Fotógrafo anônimo/Acervo de Maurício Zouein
Casa da Cultura em 2024 após restauração. Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR

Reinaugurada em 2001 para receber eventos culturais, a Casa da Cultura foi fechada novamente em 2010 por falta de manutenção e respeito à coisa pública e ficou abandonada desde então. A partir daí, a ARL tentou adquirir o prédio para ser a sede.

A ordem de serviço para a restauração foi assinada no dia 21 de dezembro de 2023, 29 anos depois do tombamento do local como patrimônio histórico. A obra durou seis meses e foi executada pela Secretaria de Infraestrutura (Seinf).

A Casa foi reinaugurada no dia 23 de junho e se prepara para receber, além das reuniões da ARL, eventos culturais de todos os seguimentos, segundo a presidente da instituição e guardiã da História de Roraima, Cecy Lya Brasil, de 76 anos.

“A importância desse espaço é para que todos os fazedores de cultura tenham acesso e possibilidade de usufruir. Com certeza nós faremos parcerias com Universidades locais, com secretarias e instituições. Foi um ganho muitíssimo importante não só para academia, mas para a sociedade é cultural roraimense”, disse a presidente.

“No meu pensamento, será um dos cartões postais mais bonitos da cidade, se não for mais bonito. Eu ‘caduco’ muito com isso porque a minha luta foi muito grande ao longo dos anos solicitando esse prédio para Academia”.

O prédio leva o nome da Madre Leótavia Zoller devido à dedicação da freira da Irmandadade da Consolata à educação, música e artes plásticas ao longo de três décadas. Segundo Cecy Brasil, essa pluralidade cultural é refletida dentro da Academia Roraimense de Letras, que pretende transformar a nova casa em “um espaço para a cultura da nossa gente”.

“A nossa academia é eclética. Além das Letras e da literatura ela é também das Artes e abrange todos os segmentos da cultura. Entre os 33 confrades e confreiras temos membros que representam desde a cultura popular, ao teatro e à música. A casa estará aberta para acolher qualquer projeto cultural indistintamente”, frisou.

A “nova” Casa da Cultura tem ainda memoriais dedicados a personalidades ligadas à história do local. Acompanhados de textos escritos por Cecy Brasil, os espaços contam sobre a vida de pessoas como o primeiro dono da casa, Milton Negreiros de Miranda, a Madre Leotávia Zoller, que dá nome ao lugar, e ao patrono da Academia Roraimense de Letras: o professor Diomedes Souto Maior.

Outros espaços expõem objetos originais do século passado. Neste, dedicado às memórias da ARL, estão expostas cadeiras originais da época da fundação da instituição, acompanhados pelos retratos dos imortais da Casa.

*Por João Gabriel Leitão, estagiário sob supervisão e edição de Valéria Oliveira, do g1 RR

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
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