A Mineração Rio do Norte foi o primeiro dos “grandes projetos” a entrar em operação na Amazônia, em 1979. Sete anos antes, a Alcan, multinacional canadense, que era a única proprietária do minério, decidiu suspender a implantação do projeto, alegando falta de atratividade no mercado mundial de bauxita. O governo brasileiro interveio e a – ainda estatal na época – Companhia Vale do Rio Doce assumiu o controle da empresa. Hoje, a MRN é a maior produtora de bauxita do Brasil e a terceira principal no mundo.
A Vale, privatizada em 1997, anunciou ter concluído, em 2019, a venda de sua participação de 40% na MRN, incluindo todas as obrigações e direitos associados, para a Ananke Alumina S.A., uma empresa afiliada à Norsk Hydro ASA (Hydro), multinacional norueguesa.
De acordo com a Vale, essa transação marcou a conclusão do principal programa de desinvestimento da empresa, que, assim, conseguiu “simplificar e reduzir a exposição ao risco dos seus negócios, resultando na eliminação de despesas de até 2 bilhões de dólares por ano”.
Bem que a Vale podia mostrar em que setores conseguiu essa redução de despesas.
A iniciativa “reforça a estratégia da Vale de simplificação de portfólio e permite à empresa focar nos seus principais negócios e oportunidades de crescimento, através de uma alocação disciplinada de capital”, dizia o comunicado. informando que o acordo vinculante com a subsidiária da Hydro envolveu valores de 67,9 milhões de dólares.
A Alcoa Alumínio, a Alcoa World Alumina e a Alcoa World Alumina Brasil transferiram a totalidade das suas ações ordinárias e preferenciais na MRN à South32, cuja participação passou de 15% para 33%, sendo ela uma das líderes mundiais do mercado de alumínio.Em abril de 2023, a Glencore assinou um acordo com a Norsk Hydro para adquirir uma participação acionária de 30% na Alunorte e de 45% na Mineração Rio do Norte, por um valor combinado de US$ 775 milhões.
Dos 2,2 bilhões de reais que a mineradora faturou vendendo para seus sócios, a South32 foi o maior cliente, pagando R$ 723 milhões, em 2022. O outro sócio é a Anglo-australiana Rio Tinto (com 25%).
Como pano de fundo dessa movimentação de capital, todo o polo de alumínio, da bauxita à alumina, se desnacionalizou. Tem sido uma mudança discreta e pouco debatida, sem uma visão de conjunto das atividades dessas multinacionais, na mais bem sucedido (ao menos para elas) mudança de controle acionário.
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site Amazônia Real e são de total responsabilidade do autor.
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