Artigo | Liberdade tem limites

Artigo | Liberdade tem limites
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O procurador-geral da Rep√ļblica, Augusto Aras, convocou, para hoje, √†s 10h, o gabinete de crise, a fim de dis- cutir uma solu√ß√£o ao caos criado pelos manifestantes inconformados com a derrota do presidente Jair Bolsonaro, que tentou ser reeleito. O Minist√©rio P√ļblico Federal identificou que o movimento avan√ßa n√£o s√≥ nas ruas do pa√≠s, mas se torna mais agressivo tamb√©m nas redes sociais. O objetivo do encontro √© conter a onda que amea√ßa a estabilidade pol√≠tica do pa√≠s.

 

 

Liberdade de express√£o, direito a pro- testos e manifesta√ß√Ķes s√£o atos permitidos no regime democr√°tico. Mas, como tudo na vida, t√™m limites. A nossa liberdade tem uma fronteira que nos impede de invadir o direito alheio. O contr√°rio significa oprimir o outro. Desde 30 de outubro, convivemos com pessoas inconformadas com a derrota do presi- dente Jair Bolsonaro nas elei√ß√Ķes.

 

 

A derrota justifica a tristeza dos 58 milh√Ķes de eleitores que queriam a continuidade do atual governo. A ressaca eleitoral despertou o inconformismo e a indigna√ß√£o em grande parte deles. A frustra√ß√£o se materializou em bloqueios de rodovias e acampamentos diante de quart√©is do Ex√©rcito. Mais de 20 dias ap√≥s o fim do processo eleitoral, os manifestantes n√£o param de entoar o pedido de interven√ß√£o militar. Um anseio incompat√≠vel com a Constitui√ß√£o de 1988. Mas a contrariedade com o resultado eleitoral n√£o autoriza os inconformados a persistirem com a√ß√Ķes constrangedoras aos que fizeram uma escolha diferente deles. N√£o implica impedir que as pes- soas transitem pelas rodovias ou pelas ruas das cidades ‚ÄĒ muitas temerosas e inseguras, pois podem ser v√≠timas de um espancamento ou at√© de um tiro.

 

 

As redes sociais n√£o param de exibir v√≠deos de agress√Ķes f√≠sicas e xingamentos descabidos aos que rejeitaram a ree- lei√ß√£o do presidente. S√£o imagens aterrorizantes de espancamentos de homens e at√© de mulheres, invas√Ķes e destrui√ß√Ķes de pr√≥prios p√ļblicos, apedrejamento de carros das for√ßas de seguran√ßa, entre outros atos capitulados no C√≥digo Penal. Essa onda de viol√™ncia precisa acabar.

 

 

Nos conflitos entre pa√≠ses, h√° limites estabelecidos por c√≥digos que, se infringidos, configuram crime de guerra. Mas o Brasil, exceto na Segunda Grande Guerra, sempre se envolveu em miss√Ķes em meio aos embates entre na√ß√Ķes. No ano passado, as For√ßas Armadas e as Auxiliares do Brasil participaram das miss√Ķes de paz da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas, em pa√≠ses conflagrados como Chipre, L√≠bano, Rep√ļblica do Congo entre outros. E sempre foi assim nos √ļltimos 73 anos. As For√ßas Armadas n√£o identificaram nenhuma fraude na disputa eleitoral. Reconheceram que as urnas eletr√īni- cas n√£o foram manipuladas para atender o desejo da oposi√ß√£o. Ou seja, o nosso sistema eleitoral √© perfeito. Apesar de tardia, a iniciativa do Minist√©rio P√ļblico Federal √© necess√°ria para conter a crise provocada pelos bolsonaristas e exige a√ß√Ķes r√°pidas e definitivas, para que o pa√≠s volte √† normalidade e se reencontre com a paz social.

 

 

(*) Por Rosane Garcia, jornalista, para o Jornal Brasil Popular

 

 

Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense

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Rosane Garcia se formou em jornalismo em 1981, pelo UniCeub. Fez estágio no Correio Braziliense, onde trabalhou, como repórter até 1986. Em seguida, foi para a Folha de S.Paulo, seguiu para a sucursal do jornal Zero Hora, passou pelo O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil.

Ao longo da carreira se dedicou √†s causas sociais, com foco nas quest√Ķes ind√≠genas e no movimento dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Hoje, √© subeditora de Opini√£o do Correio Braziliense.

 

 




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