Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
'Arte Kambeba' proporciona imersão de saberes no AM

‘Arte Kambeba’ proporciona imersão de saberes no AM

Mulheres indígenas e comunitárias do povo Kambeba. Foto: Marcelo Ramos

O projeto Arte Kambeba reuniu mulheres indígenas em uma imersão de saberes ancestrais na Comunidade Três Unidos, às margens do Rio Cuieiras, na região do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus (AM). De sexta-feira (15) até domingo (17), a programação do evento contou com rodas de conversa e oficinas de artesanato, pintura corporal e empreendedorismo voltadas ao público feminino da comunidade.

A iniciativa parte da ideia de que cada peça artesanal guarda a história do grupo originário na Amazônia. Colares, pulseiras, biojoias, grafismos e materiais retirados da floresta são alguns dos produtos que “narram” a presença dos Kambena na região.

Tainara Kambeba, jovem ativista. Foto: Marcelo Ramos

O eixo afetivo da iniciativa está na trajetória de Diamantina Kambeba, chamada carinhosamente de Babá. Matriarca, liderança indígena e artesã há mais de três décadas, ela deu início à produção artesanal na Comunidade Três Unidos, transformando sementes da floresta em biojoias que carregam identidade, memória e pertencimento, além de fortalecer a economia local.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Para Tainara Kambeba, idealizadora do projeto e jovem ativista ambiental, a imersão nasceu do desejo de reconhecer esse legado e mantê-lo vivo entre mulheres, jovens e crianças. Segundo ela, o artesanato é memória coletiva e caminho de fortalecimento identitário.

“O artesanato não é só uma simples biojoia. Ele carrega a história, a identidade e, principalmente, a essência de cada mulher que produz aquilo. É esse conhecimento que a gente sempre tenta passar para as próximas gerações, reconhecendo a coragem das nossas matriarcas”, afirma.

Mais do que ensinar técnicas, o projeto promove um espaço de encontro e troca. Ao longo de três dias, as participantes compartilharam histórias, práticas e experiências, com destaque para a roda de conversa com mulheres Kambeba, voltada à escuta coletiva e à continuidade dos saberes tradicionais.

Leia também: Tradição viva: Centro Cultural do povo indígena Kambeba é inaugurado no Amazonas

Roda de conversa do projeto Arte Kambeba. Foto: Marcelo Ramos

Identidade Kambeba

Grande parte da cultura Kambeba é transmitida oralmente pelos anciões às novas gerações. Entre os saberes preservados pelo povo está a prática ancestral conhecida como Kapara, técnica em que a cabeça dos bebês era moldada em formato achatado com o uso de junco, espécie de fibra amazônica, e madeira, como forma de identificação cultural e diferenciação entre os povos indígenas.

Hoje, essa prática foi ressignificada em um adorno de cabeça sagrado, símbolo da essência e da identidade. Por isso, a produção de kaparas na oficina de artesanato se tornou o marco simbólico do projeto, dedicado à criação desses objetos e à preservação da cultura.

Mulheres da Comunidade Kambeba. Foto: Marcelo Ramos

Essa transmissão aparece na fala de Diamantina Kambeba, que define a imersão como um compromisso com o futuro de seu povo. Para a matriarca, ensinar mulheres e crianças é uma forma de manter viva a memória Kambeba e evitar que seus saberes se percam com o tempo.

“Quando eu comecei, não tínhamos muitas ferramentas como a gente tem hoje e eu fiz mesmo assim. Eu deixo uma mensagem para elas não desistirem da nossa cultura. Eu quero que elas continuem, as mulheres daqui, as crianças, para não acabar a nossa cultura”, apela.

A iniciativa beneficia cerca de 25 participantes e contribui para a economia criativa, que apoia a subsistência da comunidade.

Comunidade Três Unidos

A Comunidade Três Unidos, no Rio Cuieiras, é um território Kambeba. Povo de várzea, eles mantêm viva sua relação com a floresta, o rio, a memória oral, o artesanato e o turismo de base comunitária. No projeto, a comunidade não é apenas o local das atividades: é a fonte dos saberes compartilhados.

Panorâmica da Comunidade Três Irmãos, às margens do Rio Cuieiras, na região do Rio Negro. Foto: Marcelo Ramos

Ao realizar a imersão dentro do território, a ação fortalece a autonomia das mulheres Kambeba e valoriza o conhecimento que nasce da vivência coletiva. A expectativa é que o aprendizado continue circulando nas famílias, nas futuras produções artesanais e nas próximas gerações.

*Com informações da assessoria

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Portal Amazônia e são de total responsabilidade do autor.
Ver post do Autor

Postes Recentes