Amazônia Real participa da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais

Amazônia Real participa da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais
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Realizado em Olinda (PE) pela organização Repórteres Sem Fronteiras, o evento contará também com a presença do jovem indígena Puré Juma (Foto: Fran Silva/Caranguejo -Uçá/Pajor/RSF).


A liberdade de expressão a partir da perspectiva de iniciativas comprometidas com o direito à comunicação é o tema da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais realizada pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) no âmbito do Programa de Apoio ao Jornalismo (Pajor) no Brasil, em parceria com Amazônia Real, Marco Zero Conteúdo, Caranguejo Uçá, Alma Preta, Nós Mulheres da Periferia, Fala Roça, Data Labe e Rede Wayuri. 

A conferência tem o objetivo de celebrar a pluralidade e a diversidade de formatos e modos do fazer jornalístico, com painéis de discussão sobre os desafios, as vitórias e o futuro da atividade no Brasil. 

“Essa conferência de jornalismos plurais é uma celebração de um movimento importante da comunicação no Brasil, que explora diferentes formas e formatos do fazer comunicação para além daquilo que em algum momento se definiu como a única forma de fazer jornalismo”, diz Artur Romeu, diretor do escritório da RSF para a América Latina. “O que a gente vê no ecossistema da mídia brasileira é a pujança, a força de coletivos, de redes de comunicação, de jornalistas que vão se propondo a tocar novas formas de fazer investigações para fortalecer o processo de multiplicidade de vozes na democracia brasileira, em uma perspectiva de criar novas identidades coletivas, dar vozes e ser as vozes de grupos que frequentemente foram invisibilizados ou criminalizados dentro de um processo da mídia mais tradicional. O evento dialoga com essa celebração, esse desejo de contribuir com esse processo que é político também de liberdade de expressão.”

A conferência começou nesta sexta-feira (25) em  Olinda (PE), na sede do Centro Cultural Luiz Freire, e termina no sábado (26). Conta com as presenças da jornalista Kátia Brasil, uma das fundadoras da Amazônia Real, e do estudante indígena Puré Juma, que integra o Blog Jovens Cidadãos da Amazônia. Os dois participaram nesta sexta do debate “Jornalismo e os Povos Indígenas”, sobre iniciativas jornalísticas e experiências de comunicação protagonizadas pelos povos originários. Com a mediação de Claudia Wanano, da Rede Wayuri, Kátia e Puré debateram os desafios e como fortalecer o ecossistema de comunicação indígena ao lado de Diego Xukuru, da Ororubá Filmes, e Plínio Guilherme Baniwa, da Rede Wayuri.

No sábado, às 11h, Kátia vai mediar uma oficina sobre os bastidores e os desafios de investigações jornalísticas de impacto, uma das especialidades da Amazônia Real.

Comunicador formado por meio de oficinas da Amazônia Real, Puré Juma destacou a importância de participar da conferência para mostrar a realidade de sua comunidade e também levar de volta informações e a energia positiva do evento. “É uma honra fazer parte dessa conferência, ainda mais como indígena. Posso representar não apenas o meu povo, mas todos os povos indígenas que hoje estão fazendo a sua parte na comunicação”, disse. 

Nos dois dias da conferência, temas como o direito à comunicação no Brasil, jornalismo e os povos indígenas, geração cidadã de dados, proteção a jornalistas e comunicadores, jornalismo na era digital, gênero e liberdade de expressão, políticas públicas para o jornalismo, bastidores de investigações jornalísticas, produção para rádio e podcast, escrita criativa, mídia das quebradas e o futuro do jornalismo estão no centro de mesas de debates e oficinas. 

Para Daiene Mendes, coordenadora do Pajor, o evento é uma oportunidade de encontro das organizações que produzem comunicação historicamente a partir de seus territórios e ainda não possuem uma estrutura necessária para que o conteúdo alcance mais pessoas. “Essa conferência é para a gente compartilhar as identidades e características da produção da comunicação que é tão diversa em vários cantos do Brasil. Pensar em jornalismo no plural. É impossível olhar a comunicação e o jornalismo como uma coisa única, exclusiva”. 

Cláudia Ferraz, indígena Wanano de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, é editora e coordenadora da Rede Wayuri de Comunicação do Rio Negro e destacou a relevância do espaço para falar sobre a realidade. “Temos comunicadores indígenas que estão trabalhando, levando a comunicação indígena para a defesa dos territórios, utilizando a língua materna”, relatou. Ela falou também sobre a necessidade de mais apoio às causas indígenas, com união e parceria para fortalecer a comunicação.

Em entrevista à Amazônia Real sobre a conferência, Laércio Portela, editor e cofundador do Marco Zero Conteúdo, de Recife (PE), destacou o conceito de jornalismos plurais. “Não existe só um jeito, uma maneira, um formato, uma linguagem de fazer jornalismo. O que esse debate mostra é que existem várias formas de fazer jornalismo e todas elas envolvem o jornalismo posicionado no campo progressista, dos direitos humanos, antirracista, antitransfóbico, que tem a perspectiva da pluralidade, da diversidade, da cultura dos territórios”, analisou. 

Portela ressaltou também sobre a importância do direito à comunicação, na perspectiva de que as pessoas têm direito de produzir conteúdos. “Isso é um direito que precisa ser garantido pelo Estado. O sentido de direito à comunicação que está nesse debate tem a ver com democratização, legitimidade das rádios comunitárias, do jornalismo praticado pelos povos tradicionais”. 

Ter contato, na prática, com a diversidade da comunicação foi o ponto destacado pelo jornalista Osvaldo Lopes, do jornal Fala Roça, da Rocinha, no Rio de Janeiro. “Não fica centralizado em um único eixo ou único local e apenas com uma visão. A gente precisa conhecer os outros territórios, as outras pessoas e a comunicação nacional para se fortalecer e principalmente na questão das mídias independentes. Então todo mundo precisa se fortalecer”, opinou. 

Para Michel Silva, coordenador do Fala Roça, a conferência pode contribuir com ideias para a sustentabilidade das mídias independentes e também para políticas públicas para que a comunicação seja de fato um direito. “Essa troca de experiência é importante, porque às vezes estamos com o olhar muito viciado. É importante para observarmos o que está acontecendo e escutar outras pessoas”, disse. 

Os grupos Afoxé Alafin Oyó, Caboclo Mestiço e o duo Barbarize, de Pernambuco, foram convidados para apresentações culturais durante o evento. 

Pajor

  • Kátia Brasil e Puré Juma na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Puré Juma na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Puré Juma na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Puré Juma na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Kátia Brasil e Puré Juma na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • katia Brasil com Puré Juma e demais participantes da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Júnior Cardeal da @agenciadenoticiasdasfavelas e @caranguejo_uca (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Claudia Wanano da Rede Wayuri na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Daniel Giovanaz na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Daiene Mendes da @favelaempauta na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Plateia da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • Edson Fly na 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)
  • 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)
  • 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)
  • 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)
  • 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)
  • 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)

A conferência marca o final da primeira edição do Programa de Apoio ao Jornalismo (Pajor), da Repórteres Sem Fronteiras, no Brasil. Projeto pioneiro no país, durante três anos o Pajor trabalhou com parceiros na busca do fortalecimento de ecossistemas locais de mídia. O prograa faz parte da iniciativa internacional Defending Voices, desenvolvida em parceria com a RSF Alemanha  (Reporter ohne Grenzen) e financiada pelo Ministério da Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha.

Oito organizações de mídias independentes participam do Pajor: Amazônia Real, Caranguejo Uçá, Marco Zero Conteúdo, Alma Preta, Nós Mulheres da Periferia, Fala Roça, Data Lab e Rede Wayuri.

Entre os dias 12 e 16 de novembro, o Pajor promoveu um intercâmbio do jornalista Edson da Cruz Correia Fly, do núcleo de comunicação e jornalismo comunitário Caranguejo Uçá, de Recife (PE), com a Amazônia Real, em Manaus. 

Fundada em 1985, em Montpellier (França), por quatro jornalistas, a Repórteres Sem Fronteiras é uma organização internacional sem fins lucrativos que atua na defesa e promoção da liberdade de informação. No Brasil, desenvolve programas que enfrentam a violência estrutural contra jornalistas, um cenário midiático marcado pela alta concentração privada e a desinformação.

Veja a programação de sábado (26) da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais:

Plateia da 1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife (Foto: Fran Silva /Caranguejo-Uçá/Pajor/RSF)

9h30 – Mesa I

Políticas públicas para o jornalismo local, como descentralizar recursos e viabilizar o alcance

A ausência de recursos e políticas públicas de fomento ao jornalismo asfixiam um dos aspectos mais centrais do direito à liberdade de expressão, o pluralismo de vozes. Quais são as responsabilidades do Estado brasileiro e as experiências históricas de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da comunicação, e como mobilizar governos nesta direção?

Mediação: André Fidelis (Força Tururu)

Debatedores: Michel Silva (Fala Roça), Elaine Silva (Alma Preta), Edgard Patrício (Universidade Federal do Ceará)

11h – Oficina I

Bastidores de investigações jornalísticas

Dois parceiros do PAJOR serão convidados a apresentarem os bastidores

de uma investigação jornalística de impacto produzida, quais foram os principais desafios por detrás da conceitualização da história, da sua produção e distribuição. 

Mediação: Kátia Brasil (Amazônia Real)

11h – Oficina II

Produção para rádio e podcast

Dois parceiros do PAJOR serão convidados para dar uma oficina sobre suas experiências na produção de conteúdo em rádio e em podcasts.

Mediação: Claudia Wanano (Rede Wayuri) e Rádio Voz da Lama (Livroteca Brincante do Pina)

14h – Oficina III

Oficina de escrita criativa

Como produzir textos criativos, técnicos e de impacto a partir da escrita

criativa. 

Mediação: Akins Kintê (Alma Preta) 

14h – Oficina IV

Cartografando experiências de comunicação

Experiência do Mapa da Mídia Independente e Popular de Pernambuco, quais são os próximos passos e como seguir desenvolvendo essa iniciativa. 

Mediação: Laércio Portela (Marco Zero Conteúdo) e Martihene Oliveira (Sargento Perifa).

15h30 – Mesa II

Convergência de mídia na comunicação da quebrada

Ao cruzar ferramentas, práticas e linguagens do jornalismo, da cultura popular e do ativismo em defesa dos direitos humanos, os comunicadores e comunicadoras das periferias brasileiras se tornaram pontos de referência importante não somente para o acompanhamento e denúncia de casos de violações por parte do Estado, como também para a divulgação das potências associadas à cultura periférica, tanto na sua diversidade de expressões culturais e artísticas, quanto na produção de conhecimento e representação política. O que o jornalismo dito tradicional tem que aprender com as inovações produzidas pela comunicação produzida a partir das periferias?

Mediação: Cleiton Barros (Coque (R)existe)

Debatedores: Edson Fly (Ação Comunitária Caranguejo Uçá), Yane Mendes (Rede Tumulto) e Lidia Lins (Ibura Mais Cultura)

17h30 – Mesa de encerramento

O futuro do jornalismo no Brasil

Dinâmica: Sessão de celebração com microfone aberto para participantes exporem suas utopias para o jornalismo brasileiro.

Provocação: Daiene Mendes (Repórteres sem Fronteiras)


1ª Conferência de Jornalismos Plurais em Recife realizada pela Repórteres Sem Fronteiras como parte do Programa PAJOR (Foto: Puré Juma/Amazônia Real)

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