Amazônia Real é finalista do Prêmio Anual de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras

Amazônia Real é finalista do Prêmio Anual de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras
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Reconhecimento internacional celebra jornalistas e meios de comunicação por coragem, impacto e independência; agência sediada em Manaus é a única representante brasileira em 2022. Na imagem acima, Elaíze Farias e Kátia Brasil, fundadoras da Agência Amazônia Real (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).


A Agência Amazônia Real é o único veículo de comunicação do Brasil a ser indicado finalista do 30º Prêmio Anual de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O reconhecimento internacional premia jornalistas e meios de comunicação em três categorias: Coragem Jornalística, Impacto e Independência. Quinze jornalistas e meios de comunicação são finalistas neste ano. A Amazônia Real concorre na categoria Impacto.

A divulgação dos vencedores e a cerimônia de premiação serão realizadas no dia 12 de dezembro, em cerimônia em Paris, na França. O jornalista russo Dmitry Muratov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2021, terá uma participação especial no evento. 

Além do Brasil, jornalistas ou meios de comunicação da Nicarágua, Yemen, China, Irã, Mianmar, Ucrânia, Índia, Mali, Grécia, Afeganistão, Marrocos, Filipinas e Libéria e Quirguistão estão entre os finalistas desse reconhecimento global. Veja aqui todos os finalistas e conheça o trabalho que realizam. 

“Há 30 anos, o Prêmio RSF homenageia o trabalho daqueles que encarnam os ideais do jornalismo. Na era digital, os desafios do jornalismo evoluíram, mas coragem, independência e busca de impacto continuam sendo virtudes cardeais”, diz Christophe Deloire, secretário-geral da RSF no texto de divulgação da premiação. “Aqueles que os encarnam merecem ser homenageados e apoiados e estarão na 30ª edição da premiação”.

Na indicação, a RSF destaca que a Amazônia Real produz jornalismo investigativo e independente na região amazônica, entrevista pessoas que raramente aparecem na mídia comercial e publica reportagens multimídia sobre o impacto das mudanças climáticas, enchentes e desmatamento nas comunidades indígenas, descrevendo suas vidas e contando suas histórias. 

A organização destaca também a repercussão nacional de reportagens recentes sobre conflitos entre a polícia e garimpeiros ilegais, crimes ambientais, ataques a terras indígenas, violência contra a mulher, entre outros assuntos. 

A RSF lembra que a Amazônia Real produziu uma série de reportagens de grande impacto sobre os assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, a partir de junho de 2022. Essas reportagens revelaram as circunstâncias e detalhes sobre o crime de repercussão internacional. 

“A indicação já é uma premiação quando analisamos o trabalho produzido pela Amazônia Real nas categorias de coragem, impacto e independência. O nosso trabalho como jornalistas investigativas nesta região sedenta de boa informação, que é a Amazônia, é muito desafiador.  Cada reportagem de grande repercussão que fazemos é como se uma árvore se levantasse. Na cobertura da pandemia foi assim, foi existencial. Na investigação das mortes de Dom e Bruno, igualmente. O jornalismo pulsa nos nossos corpos que nem o sangue. E contamos com uma equipe valorosa e corajosa, que não mede esforços para fazer o jornalismo profissional regional e trazê-lo para esse lugar: o do prêmio da Repórteres Sem Fronteiras”, disse a jornalista Kátia Brasil, uma das fundadoras da agência. 

“Esta nomeação marca um ano excepcional de reconhecimento, mesmo em um momento tão incerto e de grande expectativa para o nosso país e para a nossa região. O reconhecimento internacional vindo através do Prêmio RSF 2022 é uma indicação da amplitude e relevância do trabalho corajoso e de impacto da nossa equipe. Mostra que a mídia independente é cada vez mais imprescindível no jornalismo que retrata a realidade dos povos da Amazônia. Agradeço imensamente aos colegas que nos nomearam e dedico aos jornalistas brasileiros”, afirmou Elaíze Farias, também fundadora da Amazônia Real

A cerimônia será conduzida pela apresentadora Daphné Bürki, da TV francesa, e contará com apresentação musical de Jane Birkin, que faz campanha em defesa de jornalistas de Mianmar, um país sob uma ditadura militar que persegue os profissionais da imprensa. Além deles, três profissionais já premiados pela RSF vão participar das homenagens: Can Dündar, jornalista turco e especialista em mídia na Turquia; Lina Attalah, cofundadora e editora do jornal egípcio independente Mada Masr; e Matthew Caruana Galizia, jornalista investigativo e filho de Daphne Caruana Galizia, jornalista maltesa morta em 2017 por um bomba colocada em seu carro. 

O júri deste ano foi composto por jornalistas e defensores da liberdade de expressão que atuam no mundo todo: Rana Ayyub, jornalista indiana e colunista do Washington Post; Raphaëlle Bacqué, repórter francesa do Le Monde; Mazen Darwish, advogado sírio e presidente do Centro Sírio para Mídia e Liberdade de Expressão; Zaina Erhaim, jornalista e consultora de comunicação síria; Erick Kabendera, repórter investigativo da Tanzânia; Hamid Mir, editor de notícias, colunista e escritor paquistanês; Frederik Obermaier, jornalista investigativo alemão do jornal Süddeutsche Zeitung, de Munique; e Mikhail Zygar, jornalista russo e editor-chefe fundador do Dozhd, o único canal de notícias de TV independente da Rússia. O júri é presidido pelo presidente da RSF, Pierre Haski, repórter e colunista francês.

Nos últimos anos, The Intercept Brasil (2021), Lola Aronovich (2019), Leonardo Sakamoto e Agência Pública (2016) foram brasileiros indicados à premiação.

Outros prêmios

Cerimônia de premiação do 46º Prêmio Vladimir Herzog no Teatro Tuca Arena em São Paulo (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Em outubro, as jornalistas Elaíze Farias e Kátia Brasil receberam o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2022, em uma noite marcada pela defesa da democracia e da liberdade de imprensa. Em seus discursos, elas homenagearam e defenderam a Amazônia e os povos da floresta. Criado em 1978 durante o Congresso Brasileiro de Anistia, realizado em Belo Horizonte (MG), o Prêmio Vladimir Herzog é um dos mais conceituados do jornalismo brasileiro. 

Em 2021, Elaíze e Kátia se tornaram as primeiras mulheres, indígena e negra, a serem homenageadas pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em cerimônia que ocorreu no 16º Congresso da associação. A premiação reconheceu as profissionais como defensoras e símbolos do jornalismo e da Amazônia.

Em 2019, o Prêmio Rei da Espanha de Meio de Comunicação de Maior Destaque da Ibero-América, foi concedido à Amazônia Real pela valorização do trabalho, a solidez e o prestígio da equipe de jornalistas.

Veja aqui todos os prêmios já concedidos à agência.

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