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Amazônia conquista mais espaço no Congresso da Abraji

Amazônia conquista mais espaço no Congresso da Abraji

Junior Hekurari e Maurício Ye’kwana serão destaques do evento realizado em São Paulo, em debate sobre a situação da Terra Indígena Yanomami, com participação de Kátia Brasil, da Amazônia Real. Crimes ambientais, jornalismo urbano na Amazônia, mudanças climáticas e as dificuldades das coberturas na região estão entre os assuntos abordados no Congresso da Abraji (Foto colagem a partir de imagens de Crhistian Braga/Associação Hutukara e Felipe Medeiros/Amazônia Real).


O jornalismo realizado na Amazônia será um dos principais assuntos do 19º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado de 11 a 14 de julho em São Paulo. Considerado o maior encontro de jornalistas do país, o evento segue este ano no formato híbrido, com atividades presenciais, transmissão ao vivo de parte da programação e conteúdos gravados. Serão mais de 100 palestras, debates e treinamentos distribuídos em trilhas temáticas. 

“Tivemos um aumento na trilha sobre a Amazônia, que já existe há alguns anos. Ela foi ampliada”, afirma Katia Brembatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

As presenças dos líderes indígenas Junior Hekurari, presidente da  Associação Yanomami e do Conselho Distrital de Saúde Indígena, e Maurício Ye’kwana, diretor da Hutukara Associação Yanomami, são destaques da programação sobre a Amazônia. Eles vão ser entrevistados no dia 11, das 11h30 às 13h, pelas jornalistas Kátia Brasil, co-fundadora e editora-executiva da agência Amazônia Real, e Sônia Bridi, repórter especial do Fantástico (TV Globo) e escritora. 

Com o tema “Yanomami: um ano depois da denúncia”, vão falar sobre a crise humanitária e sanitária na Terra Indígena Yanomami, agravada durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). 

Em janeiro de 2023, o primeiro escalão do governo Lula desembarcou em Boa Vista, capital de Roraima, com a promessa de retirada total dos garimpeiros do território indígena, mas os problemas causados pela invasão ainda não foram completamente resolvidos. 

A entrevista será realizada no formato presencial, no Teatro da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), e terá transmissão simultânea pela internet. 

“Esse é o Congresso da Abraji com maior número de mesas sobre as questões ambientais e com a maior participação de indígenas”, ressalta Brembatti. 

Kátia Brasil também vai participar de debate sobre os profissionais que fazem carreira solo, ao lado de Adriana Amâncio (jornalista de meio ambiente), Samira de Castro (presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj) e Sanara Santos (diretora do Laboratório Énois), com mediação de Joana Suarez (gerente da Revista AzMIna, co-fundadora da Cajueira e diretora da Abraji). 

Kátia Brasil, co-fundadora da Amazônia Real (Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil).

Além disso, a Amazônia Real será representada no congresso pelas jornalistas Rudja Santos e Nicoly Ambrosio. 

No dia 11, das 9h30 às 11h, Rudja será uma das debatedoras da mesa sobre “Defensores Ambientais: a experiência de jornalistas na cobertura da Amazônia Legal”, com as presenças de Jullie Pereira (repórter do InfoAmazônia), Valéria Oliveira (coordenadora e editora de conteúdo do G1 em Roraima) e mediação de Olivia Ainbinder (coordenadora do Programa de Integridade Socioambiental na Transparência Internacional – Brasil). 

“Vou falar sobre técnicas de proteção e segurança nos territórios, protocolos de segurança para reportagens na Amazônia. No geral, vamos falar sobre a atuação de jornalistas na Amazônia Legal: as dificuldades de acesso no território, de acesso à informação, de proteção às fontes”, explica Rudja. 

O debate é resultado de uma mentoria realizada ano passado pela Abraji. A jornalista foi selecionada como participante do Programa Defensores Ambientais e escreveu uma reportagem sobre os impactos do aumento do nível do oceano e das mudanças no rio Amazonas no modo de vida no arquipélago do Bailique, no Amapá. 

Nicoly Ambrosio será uma das participantes do debate “Além da floresta: como cobrir a Amazônia urbana”, no dia 13, das 11h30 às 13h, ao lado de Cecília Amorim (co-fundadora da agência Carta Amazônia), Vanessa Vieira (editora de conteúdo do Correio do Lavrado) e mediação de Thays Lavor (coordenadora de dados do InfoAmazônia e conselheira fiscal da Abraji). 

“O objetivo é discutir a urbanidade amazônica para, de certa forma, quebrar os estereótipos em torno de nossas realidades, desafiar as representações simplificadas perpetuadas pela mídia e reconhecer a complexidade e diversidade da região”, diz Nicoly.

A jornalista vai falar sobre a experiência na cobertura de pautas urbanas em Manaus, ligadas à comunidade LGBTQIAPN+, povos indígenas em contexto urbano, desigualdades e impactos socioambientais nas periferias, abandono do patrimônio histórico, direito à cidade e cultura nortista. 

“São temas que estão presentes na minha vida como pessoa que trabalha e mora na capital. Busco escrever sobre questões da cidade que precisam estar aos olhos da opinião pública, como uma forma de construir a identidade urbana dentro da Amazônia”, afirma. 

Rudja Santos e Nicoly Ambrósio (Fotos: acervos pessoais).

A Amazônia estará presente também em discussões, oficinas e laboratórios sobre temas como o jornalismo depois do assassinato duplo do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira; o jornalismo decolonial nas eleições; política da seca; crimes ambientais, desmatamento e mudanças climáticas. 

Inteligência artificial e outros temas

Katia Brembatti. (Foto: Alice Vergueiro/Abraji).

Em evidência no jornalismo, a inteligência artificial será um assunto destacado no Congresso da Abraji. “Estamos avaliando tendências, para onde estamos caminhando. Temos várias trilhas sobre  inteligência artificial”, informa Katia Brembatti. 

Entre as trilhas estão debates sobre reportagens investigativas; as eleições municipais deste ano; e ferramentas de IA que podem ser usadas para quem faz reportagem sem o suporte de uma grande redação. 

Os participantes do congresso também vão debater temas como investigações sobre a indústria do tabaco, as bets, os ruralistas e ameaças digitais. 

Entre as convidadas especiais estará a editora Maya Wolfe-Robinson, do podcast “Cotton Capital: como a escravidão mudou o Guardian, o Reino Unido e o mundo”, produzido pelo The Guardian em 2023. 

Com mediação da jornalista Fabiana Moraes e de Ebony Riddell Bamber, diretora do projeto de legados de escravidão do Scott Trust, ela vai falar sobre a investigação que o The Guardian realizou sobre o próprio passado escravocrata.

Outro convidado internacional é James Kleinfeld, jornalista investigativo e documentarista da Al Jazeera. Ele vai compartilhar a experiência na cobertura de conflitos. 

Homenagem

Fabiana Moraes, jornalista homenageada

(Foto: Abraji/Divulgação)

A homenageada desta edição é a jornalista, escritora e professora Fabiana Moraes, colunista no “The Intercept Brasil” e na revista “Gama”. Fabiana é doutora em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e acumula experiências em veículos como o Jornal do Commercio, o UOL e a revista piauí. É autora de seis livros, venceu os prêmios Esso (três vezes), Petrobras, Imprensa Embratel e Cristina Tavares de Jornalismo. Foi diretora da Abraji no biênio 2016-2017. 

A cerimônia de homenagem será realizada no primeiro dia do congresso, às 16h30, com transmissão pela internet.

As jornalistas Elaíze Farias e Kátia Brasil, fundadoras da Amazônia real, foram homenageadas pela contribuição ao jornalismo em 2021, no 16º Congresso da Abraji. 

Veja aqui a programação completa do Congresso da Abraji. 


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