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ToggleCom um quadro profissional enxuto, um território de dimensão continental e o segundo maior rebanho bovino do Brasil, ainda está incerto como o estado do Pará vai conseguir identificar individualmente o gado para cumprir as metas do programa de Pecuária Sustentável até 2030. Mas essa é apenas a primeira etapa necessária para garantir o sucesso da iniciativa. Até o momento, o estado não divulgou como vai manter esse programa em andamento, a médio e longo prazo.
Isso porque o primeiro desafio é que todos os 25,5 milhões de bois sejam “brincados” (microchipagem individual), com dois brincos de identificação. Um deles é visual, com um número que permite reconhecer o animal a olho nu. O outro utiliza tecnologia RFID (Identificação por Radiofrequência, na sigla em inglês): um chip com antena que armazena informações como sexo, idade e raça e as conecta ao Sistema Oficial de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SORBIP), gerido pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).
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Mas o trabalho não para por aí. A partir desse momento, o animal passa a ser acompanhado ao longo de toda a sua vida: sempre que mudar de propriedade, for transportado, vacinado ou enviado para o abate, sua identificação deve ser lida por um bastão eletrônico que “escaneia” o chip e envia automaticamente a movimentação ao sistema oficial.
Essa leitura é importante porque permite acompanhar onde o animal esteve, inclusive se passou por áreas associadas ao desmatamento, mas também informações como idade e peso. Os dados ajudam a conectar diferentes dimensões da rastreabilidade, desde a proteção ambiental até o controle da produção e da atividade econômica, passando pela vigilância sanitária do rebanho.
Na prática, porém, é justamente esse equipamento, o bastão de leitura, que aparece como um dos desafios para a implementação da rastreabilidade, de acordo com o pesquisador do Imazon Amintas Brandão. Enquanto cada brinco com microchip custa cerca de R$ 7, um bastão de leitura sai, em média, por R$ 7 mil.
Por causa desse custo, Brandão avalia que a própria Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) deverá ter papel importante na realização dessas leituras, especialmente para os pequenos produtores. A estrutura disponível, no entanto, impõe um desafio logístico. Segundo dados públicos da Adepará, o órgão possui atualmente 14 unidades de fiscalização de trânsito agropecuário no estado, responsáveis por fiscalizar o transporte de animais, plantas e produtos agrícolas em estradas e rios e evitar a entrada e a disseminação de pragas e doenças.
Contraste entre concentração do rebanho e local de fiscalização
A distribuição dessas unidades, porém, não acompanha necessariamente a concentração do rebanho. Apenas três delas estão em municípios que figuram entre os 50 maiores rebanhos bovinos do Pará. Monte Alegre, por exemplo, é o município com o maior rebanho entre aqueles que possuem uma unidade de fiscalização, com 373,4 mil cabeças, o equivalente a 1,46% de todo o rebanho bovino paraense. Até agora, contudo, apenas três animais do município foram identificados no sistema.
Nesse cenário, a distância entre as propriedades rurais e a estrutura de fiscalização suscita preocupação para Amintas Brandão, que aponta a necessidade de ampliar a disponibilidade dos equipamentos e descentralizar as leituras. “O ideal é que toda agência da Adepará tenha pelo menos um bastão de leitura, principalmente se considerarmos as distâncias dentro do estado”, ressalta.
Segundo o pesquisador, as dimensões do Pará tornam difícil concentrar esse trabalho em poucas equipes. “As fazendas muitas vezes ficam a dezenas de quilômetros de distância da agência mais próxima. Então, não tem como a mesma equipe da Adepará se deslocar para muitos lugares em um mesmo dia”, reitera.
A reportagem procurou a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) para esclarecer os critérios de distribuição das unidades de fiscalização no estado, a função dessas estruturas e a disponibilidade de bastões de leitura. Também questionou se o órgão possui equipamentos suficientes, como eles estão distribuídos pelo território paraense e qual é a participação da agência no processo de “brincagem” dos animais. Até o fechamento desta edição, a Adepará não havia respondido aos questionamentos.
As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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