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O impacto da poluição por combustíveis fósseis nos oceanos traz custos enormes

O impacto da poluição por combustíveis fósseis nos oceanos traz custos enormes

A barreira de corais da Flórida está em apuros – e isso está nos custando caro.

Os corais têm enfrentado um grave surto da doença de perda de tecido de corais pétreos na última década. Estima-se que o principal fator causador seja o estresse provocado pelas mudanças climáticas e pela acidificação das águas, ambos resultado da queima de combustíveis fósseis.

O prejuízo financeiro com a perda do coral é elevado. Estima-se que os recifes de corais da Flórida gerem mais de US$ 1 bilhão por ano em receitas de turismo, ofereçam US$ 650 milhões em benefícios de proteção contra enchentes e gerem mais de 70 mil empregos. Além disso, os recifes protegem pessoas e propriedades costeiras, ao ser capaz de dissipar até 97% da energia das ondas, reduzindo o impacto de ressacas e tempestades.

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Um novo estudo publicado na Nature Climate Change analisa esses custos em escala global, estimando o custo total dos danos aos oceanos que estão relacionados às mudanças climáticas. O estudo conclui que, ao incluir os impactos nos oceanos, os gastos climáticos estimados para a sociedade – conhecidos como custo social do carbono – praticamente dobram.

No entanto, como ocorre com a maioria dos impactos climáticos, esses custos são distribuídos de forma desigual, e recaem com mais força sobre populações de países insulares mais pobres e outras regiões costeiras, a exemplo da Flórida. E, como acontece com todas as ameaças climáticas, eles estão sendo amplamente ignorados pela administração Trump.

‘Uma peça que faltava’

Os oceanos desempenham um papel fundamental – embora frequentemente negligenciado – na saúde e no bem-estar de pessoas e culturas ao redor do mundo. Em média, uma pessoa consome quase meio quilo de frutos do mar por semana, o que fornece nutrientes importantes para a dieta. Ecossistemas costeiros, como manguezais e recifes de coral, também protegem comunidades litorâneas contra tempestades, que vem se tornando uma ameaça crescente devido à elevação do nível do mar e à intensificação das tempestades causadas pelas mudanças climáticas.

Mas esses benefícios, que estão ameaçados pelas mudanças climáticas, são difíceis de quantificar. E quando não são quantificados, ficam de fora das estimativas dos especialistas sobre os danos que causamos ao queimar combustíveis fósseis e liberar dióxido de carbono que aquece o clima – o custo social do carbono.

Como resultado, mesmo quando a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) atualizou a estimativa federal do custo social do carbono em 2023 para quase quatro vezes o seu valor anterior, a agência observou que isso provavelmente ainda era uma “subestimação dos danos associados ao aumento do risco climático”.

Os impactos climáticos nos oceanos têm sido “uma grande lacuna reconhecida por todas as principais avaliações” do custo social do carbono, afirmou Bernie Bastien-Olvera, cientista do clima da Universidade Nacional Autônoma do México, por email. Ele é o principal autor do novo estudo publicado na Nature Climate Change.

O duplo golpe das mudanças climáticas nos oceanos

A queima de combustíveis fósseis pela atividade humana afeta os oceanos da Terra por meio de um duplo impacto: o aquecimento e a acidificação das águas, que ocorre quando o dióxido de carbono é absorvido pelo oceano. Os oceanos são cerca de 40% mais ácidos hoje do que eram antes da Revolução Industrial.

A redução do pH dificulta que certas espécies marinhas, como moluscos e corais, formem suas conchas e esqueletos. Como resultado dessa combinação de alterações químicas e aumento de temperatura, ocorreram quatro eventos globais de branqueamento em massa de corais desde 1998. Esses eventos indicam níveis extremos de estresse e condições potencialmente letais para os recifes, dos quais cerca de um quarto de toda a vida marinha depende para alimentação, abrigo e reprodução.

Nações insulares sofrem ameaça desproporcional

O novo estudo constatou que países insulares, cuja própria existência já está ameaçada pela elevação do nível do mar, são “desproporcionalmente afetados” pelos impactos das mudanças climáticas nos oceanos.

Por exemplo, cerca de um terço da captura mundial de atum vem de um grupo de 14 países insulares do Pacífico. As taxas cobradas pelo acesso à pesca de atum representam aproximadamente um terço da receita governamental desses países, sustentam dezenas de milhares de empregos e fazem do atum um alimento básico nessas culturas.

No entanto, um estudo de 2021 liderado por Johann Bell, diretor sênior da área de pesca de atum da Conservation International, estimou que, à medida que o aquecimento dos oceanos leva o atum a migrar para outras regiões, as capturas podem ser reduzidas em até 20% até 2050. Algumas comunidades costeiras das ilhas do Pacífico já “têm dificuldades para capturar peixes de recife de coral suficientes para garantir sua segurança alimentar”, escreveu Bell por e-mail. Isso é resultado de uma combinação do aquecimento e da acidificação dos oceanos, bem como do crescimento da população humana.

O estudo recém-publicado aponta que a perda de nutrientes como ômega-3, cálcio, ferro e proteínas devido à redução do consumo de frutos do mar terá impactos significativos na saúde das populações que dependem desses alimentos. Os autores destacam que “uma ingestão adequada de ômega-3 reduz o risco de doenças cardiovasculares em 7%”.

No geral, esses impactos na saúde representam cerca de metade do novo custo social do carbono estimado pelo estudo para os impactos nos oceanos. A maior parte do restante decorre da perda de corais e manguezais e dos benefícios que eles proporcionam em termos de proteção de comunidades costeiras, como as da Flórida, contra tempestades cada vez mais severas, por exemplo.

A EPA de Trump ignora a realidade

Apesar do avanço quanto à compreensão dos prejuízos causados pelas mudanças climáticas, a EPA, em 2026, se afastou ainda mais da realidade baseada em evidências.

Embora as agências federais sejam obrigadas por lei a considerar os custos e benefícios de novas regulamentações, a EPA do governo Trump pretende deixar de avaliar os benefícios para a saúde gerados pelas regras de controle da poluição do ar. Além disso, a agência continua avançando no desmantelamento das regulamentações federais sobre poluição climática, tratando, na prática, o custo social do carbono como zero, em contraste com os quase US$ 400 por tonelada que são estimados ao combinar os dados de 2023 da EPA com os novos custos relacionados aos oceanos.

Mas a nova pesquisa ainda oferece informações e conhecimentos importantes.

“Do meu ponto de vista, há muitos outros países no mundo (ou mesmo governos estaduais/locais dentro dos Estados Unidos) que podem se beneficiar de estimativas mais precisas do custo social do carbono, baseadas na melhor ciência e economia disponíveis e que considerem os oceanos”, afirmou Bastien-Olvera.

E uma futura administração e a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) poderiam reintroduzir regulamentações climáticas e análises de custo-benefício da poluição. Levar em conta um custo social quase duplicado da poluição por carbono poderia justificar regras climáticas futuras mais rigorosas.

“Espero que essa métrica se mostre útil para futuros governos dos Estados Unidos”, disse Bastien-Olvera.

O destino das nações insulares e do litoral da Flórida pode depender disso.

As informações apresentadas neste post foram reproduzidas do Site O Eco e são de total responsabilidade do autor.
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